Fadado ao convívio da mata, sem nenhuma falárica de luz na mão, percorrendo estradas tortuosas de seringa com a poronga acesa na cabeça, e aprendendo os labirintos de processo de colha com o velho mateiro, o seringueiro aguarda pacientemente, observando a pequena tigela fixada à seringueira, sugar gota a gota, o leite materno da sobrevivência.
A exaustão fatídica da fome, era superada por uma farofa de farinha d’água com carne de cutiara. Em seguida ele abria a pequena cabaça com um cipó amarrado no gole e com uma tampa de madeira, e despejava a sua bebida preferida num velho copo de flandre, confeccionado de um pedaço de lata de querosene.
Jacuba era a sua bebida preferida. A jacuba que anteriormente era uma comida preparada à base de farinha, limão e sal, o seringueiro na sua aguçada inteligência e criatividade, fazia o seguinte: excluía a farinha, misturava água com o sumo de limão, e adicionava ainda, ou mel de abelha, ou garapa de cana-de-açúcar, vindo de um pequeno roçado localizado no meio da mata, escondido aos olhos do patrão.
No voluptuoso término do ato cotidiano, mais deleitoso processo de extração do látex da esplendorosa e colossal borracha natural da Amazônia brasileira, o generoso seringueiro, vai traçando os mesmos caminhos no seu retorno para casa.
No passo a passo segue ouvindo os ruídos da argola grudada no cilíndrico e inseparável balde de flandre, que mais tarde seria levado ao Buião para processar a defumação da borracha. Antes, porém, de iniciar esse processo, ele fica em silêncio, observa e agradece em impoluta exaltação do ser, a suntuosa e majestosa seringueira.










































