A CNBB manifestou apoio à Igreja na Venezuela por meio de uma carta enviada à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana. O documento foi divulgado nas redes sociais e descreve o atual cenário do país como marcado por tensões, sofrimentos e incertezas, em um contexto de violência que atinge diretamente a população venezuelana.
No texto, a CNBB afirma unir-se espiritualmente às orações e às iniciativas pastorais da Igreja local, destacando solidariedade às vítimas, aos feridos e às famílias enlutadas. A entidade ressalta a dimensão humana e social do conflito e reforça o papel da Igreja como agente de acolhimento e esperança.
Defesa da paz e da dignidade humana
A carta destaca que o diálogo sincero, a justiça e o respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das nações são caminhos essenciais para promover o bem comum. Para a CNBB, esses princípios são fundamentais para fortalecer a democracia e construir uma convivência social baseada na reconciliação e na paz duradoura.
Os bispos brasileiros também enfatizam a necessidade de uma “paz desarmada e desarmante”, inspirada nos valores do Evangelho, como resposta ao sofrimento vivido pelo povo venezuelano.
Contexto político e histórico
A manifestação da CNBB ocorre após episódios de violência registrados em Caracas, atribuídos a uma ação militar conduzida pelos Estados Unidos. O episódio resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York por forças norte-americanas.
O caso reacende o debate sobre intervenções dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão direta havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusações de narcotráfico. Especialistas apontam semelhanças entre os dois episódios e questionam as justificativas apresentadas por Washington.
Apelo espiritual e institucional
Ao final da mensagem, a CNBB pede que o Espírito Santo sustente a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza aos que atuam no país. O apelo reforça a esperança na unidade do povo venezuelano e na superação da crise por meios pacíficos.
A posição da CNBB insere-se em uma tradição histórica da Igreja Católica latino-americana de defesa dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos e da mediação em momentos de conflito, mantendo relevância no debate público contemporâneo.











































