A primeira temporada de It: Bem-Vindos a Derry chegou ao fim com um episódio intenso, simbólico e perturbador, fiel ao espírito das obras de Stephen King. O desfecho, exibido no domingo (11), não apenas encerra os principais arcos da narrativa ambientada em 1962, como também revela uma nova camada sobre Pennywise e estabelece uma ponte clara para futuras temporadas.
No episódio final, intitulado Brasas do Inverno, a cidade de Derry volta a ser tomada pelo caos quando um dos selos que mantinham a criatura aprisionada é destruído. Uma névoa cobre a cidade, crianças desaparecem e o palhaço passa a agir livremente sob a influência dos Deadlights, levando moradores ao limite do medo coletivo.
Enquanto Lilly, Marge e Ronnie seguem o rastro de sangue deixado por Pennywise para tentar salvar Will, os adultos entram em cena em uma tentativa desesperada de conter o mal. O destaque fica para Dick Hallorann, que usa o poder do “brilho” para invadir a mente da criatura e congelá-la temporariamente, fazendo-a acreditar que ainda é Bob Gray.
O plano quase falha, mas a virada emocional ocorre com o retorno espiritual de Rich Santos, morto no episódio anterior durante o ataque racista ao Black Spot. Sua presença simboliza resistência e solidariedade, permitindo que a adaga seja finalmente enterrada sob a árvore que marca a prisão do monstro. Pennywise entra, então, em mais um ciclo de dormência de 27 anos.
Apesar da violência e do massacre implícito, os protagonistas centrais sobrevivem, encerrando seus arcos de forma amarga, porém coerente com a proposta da série: em Derry, nenhuma vitória é completa. Will Hanlon e sua família deixam a cidade, assumindo a missão de vigiar o local da prisão da criatura — ligação direta com o futuro nascimento de Mike Hanlon, integrante do Clube dos Perdedores.
O maior impacto do final, no entanto, vem com a revelação feita pelo próprio Pennywise. O monstro explica que não percebe o tempo de forma linear, vivenciando passado, presente e futuro simultaneamente. Com isso, derrotá-lo em uma linha temporal não significa destruí-lo por completo. A criatura chega a revelar a Marge que ela terá um filho — Richie Tozier — que será responsável por sua derrota definitiva em 2016, como visto em It: Capítulo Dois.
Essa revelação muda completamente a leitura da franquia, indicando que Pennywise manipula eventos no passado para tentar evitar sua própria morte. Segundo Andy Muschietti, essa abordagem vem diretamente da obra original de King e será explorada mais a fundo, com a série “contando a história de trás para frente”.
A cena final reforça o peso do trauma. Em 1988, a jovem Beverly Marsh descobre a morte da mãe em um hospital psiquiátrico. Lá, ela encontra Ingrid Kersh, filha de Bob Gray, que afirma que “quem morre em Derry não morre de verdade”. A sequência recontextualiza momentos dos filmes e sugere que Pennywise continua influenciando tragédias mesmo durante sua dormência.
Outro elo importante com o chamado “Kingverso” é o destino de Dick Hallorann, que deixa Derry para trabalhar como chef em um hotel, abrindo caminho direto para os eventos de O Iluminado. A série não confirma seu retorno, mas deixa espaço para explorar ainda mais seu passado e seus poderes.
Mesmo sem renovação oficial, os criadores já afirmaram que existe um plano de três temporadas, com a segunda ambientada em 1935 e a terceira em 1908, explorando massacres anteriores e a origem humana de Bob Gray. Com a lógica do tempo não linear, a produção ganha liberdade para expandir o universo sem entrar em conflito com os filmes.
No fim, It: Bem-Vindos a Derry termina deixando claro que o mal pode ser contido, mas nunca apagado. Em Derry, o medo sempre encontra uma forma de retornar — e a série deixa as portas abertas para histórias ainda mais sombrias.
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