Autora: Renata Camurça
“Aos 35 anos, Nora Seed é uma mulher cheia de talentos e poucas conquistas. Vendo pouco sentindo em sua existência, ela coleciona tristezas e arrependimentos. Quando Nora se vê na Biblioteca da Meia-Noite, ganha uma oportunidade para fazer tudo de novo.
Como em um passe de mágica, os livros na Biblioteca da Meia-Noite permitem que Nora experimente as vidas que teria vivido se tivesse tomado outras decisões. Com a ajuda de uma velha amiga, ela agora pode reverter cada uma das ações das quais se arrepende, até chegar à vida real. Mas nem sempre as coisas correm como o esperado, e o novo rumo que sua vida toma coloca em risco tanto a biblioteca quanto a própria Nora.
Antes que o tempo acabe, ela deve responder à pergunta mais importante de todas: O QUE FAZ A VIDA VALER A PENA?”
Sempre que vejo uma obra muito comentada, elogiada e popular nas redes sociais, fico com um pé atrás, penso, “será que o livro vale todo o hype?” ou “será que é só um plano de marketing muito bem executado?”. E, para minha felicidade, a leitura de “A Biblioteca da Meia-Noite” superou todas as expectativas, a história vale todo o alvoroço!
A Biblioteca da Meia-Noite é um romance contemporâneo que aborda temas e questionamentos muito frequentes na atualidade e acredito que deveria ser uma leitura obrigatória para todas as pessoas que vivem se perguntando “e se”, e sofrem por não terem uma resposta exata.
Nora Seed é a protagonista da história e vive uma vida de arrependimentos. Em uma noite de tristeza profunda e solidão, toma uma atitude impensada que pode custar a sua vida. A partir desse momento, Nora chega à Biblioteca da Meia-Noite e com a oportunidade de reviver partes dos seus arrependimentos, de saber como seria sua história se tivesse tomado outras decisões e refletir se a vida vale a pena.
Logo nos primeiros capítulos, o leitor já nota que a grande indagação da trama é: existe uma vida perfeita?
Durante o mergulho em outras vidas, nossa personagem percebe que estava em busca de atender as expectativas de outras pessoas, de viver os sonhos de outas pessoas na tentativa de agradar e não viveu os seus próprios sonhos, por isso não sentia seu coração bater mais forte por alguma realização e acabou vivendo uma vida sem propósitos e cheia de frustrações.
A leitura do livro “A Biblioteca da Meia-Noite” foi extremamente especial, que me tocou e rendeu diversas reflexões. Em cada página, um ensinamento e o principal deles, viver é uma dádiva!
Com a Nora aprendi que viver é realmente muito complicado, mas é preciso ter coragem para viver. Me dei conta que jamais terei uma vida livre da ansiedade, mas essa é a minha vida e eu quero viver cada pedacinho dela, simplesmente porque existe esperança e finalmente descobri que tenho potencial para seguir meu próprio caminho.
A história é narrada em terceira pessoa, o único fato que me desagradou levemente, os acontecimentos ficam um tanto impessoal, mas não chega a atrapalhar a conexão com a personagem e os capítulos são bem curtos, fato que gosto, pois torna a leitura menos densa.
Não vou me estender na resenha para não prejudicar a sua experiência com a leitura, mas deixo aqui vários quotes suficientes para você ter uma noção da intensidade dessa história.
Obs.: A obra possui gatilhos sobre depressão e suicídio.
“Você tem tantas vidas quanto tem possibilidades. Há vidas em que você toma diferentes decisões. E essas decisões levam a resultados distintos. Se tivesse feito apenas uma coisa de maneira diferente, você teria uma história de vida diferente.”
“Precisar… é uma palavra interessante. Implica estar carente de algo. Às vezes, se suprimos essa carência com outra coisa, a sensação original de precisar de algo desaparece completamente. Talvez seu problema seja a carência de alguma coisa, e não você estar precisando de algo. Talvez exista uma vida que você precise muito viver.”
“Arrependimento não somem. Não são picadas de mosquito. Eles coçam para sempre.”
“Nunca subestime a grande importância das coisas pequenas.”
“Se você tem como objetivo ser algo que não é, vai sempre fracassar. Tenha como objetivo ser você. Parecer, agir e pensar como você. Ser a versão mais verdadeira de si. Abrace essa singularidade. Apoie, ame, trabalhe ardentemente essa singularidade. E não dê a menor bola quando as pessoas ridicularizarem ou zombarem dela. A maioria das fofocas é inveja disfarçada.”
“Eu sofro de ansiedade. Não sei pensar menos.”
“O livro dos arrependimentos está ficando mais leve. Tem muito espaço em branco nele agora… Parece que você passou a vida dizendo coisas que não pensa de verdade. Essa é uma das suas barreiras.”
“A cada segundo de cada dia a gente entra no novo universo. E a gente passa tempo desejando que a vida fosse diferente, se comparando com outras pessoas e com outras versões de nós mesmos, quando, na verdade, a maioria das vidas contém um certo grau de coisas boas e um certo grau de coisas ruins.”
“Sua mente parecia diferente aqui. Ela pensava muito, mas os pensamentos eram leves.”
“Você não precisa entender a vida. Precisa apenas vivê-la.”
“Está se esquecendo de quem é. Ao se tornar todo mundo, está se tornando ninguém. Está esquecendo da sua vida raiz. Está esquecendo o que funcionava para você e o que não funcionava.”
“A gentileza e a bondade são forças poderosas. E raras.”
“Ela não precisava de um vinhedo ou de um pôr de sol californiano para ser feliz. Nem precisava de uma casa grande e da família perfeita. Ela só precisava de potencial. E ela não era nada a não ser potencial. Ela se perguntou por que nunca tinha enxergado isso antes.”
“Ela não queria morrer. E não queria viver nenhuma outra vida que não fosse sua. Aquela que podia ser uma luta diária muito confusa, mas era sua luta diária muito confusa. Uma bela luta diária muito confusa.”
“É o arrependimento que nos faz encolher, murchar e nos sentir como nosso pior inimigo, além de pior inimigo das outras pessoas.”
Para ler ouvindo:
· Let It Be – The Beatles
· Rain Days And Mondays – Carpenters
· Howl – Florence + The Machine
· Bridge Over Troubled Water – Simon & Garfunkel
· Smoke On The Water – Deep Purple
· The Sound Of Silence – Simon & Garfunkel
Boa leitura!