Estrela morta estaria devorando planeta gigante formado por material expelido em sua morte

Pesquisadores identificam assinatura química inédita em anã branca, apontando para a possibilidade de um mundo de segunda geração orbitando muito próximo ao remanescente estelar.

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Estrela morta estaria devorando planeta gigante formado por material expelido em sua morte
Snehalata Sahu/University of Warwick

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Uma estrela morta pode estar lentamente consumindo um planeta formado a partir do material que ela própria lançou ao espaço antes de morrer. É o que sugere um estudo publicado na revista Nature Astronomy sobre a anã branca HS 0209+0832. Pesquisadores encontraram na atmosfera desse objeto uma combinação química diferente de tudo o que já foi observado em corpos do Sistema Solar, além de indícios consistentes da presença de um possível planeta gigante orbitando nas proximidades.

A principal hipótese científica aponta que esse mundo seria de segunda geração: em vez de ter surgido junto com a estrela, ele teria se formado após o astro envelhecer, expulsar suas camadas externas e terminar como uma anã branca. Com a proximidade, a intensa radiação emitida pelo remanescente estelar estaria arrancando gás da atmosfera do planeta. Parte desse material acaba caindo sobre a anã branca, deixando na superfície da estrela um registro químico da composição do corpo celeste vizinho.

A existência do planeta, contudo, ainda aguarda confirmação direta por meio de novas observações astronômicas. Os autores do estudo classificam o objeto como um candidato e baseiam a tese nas pistas coletadas pelos telescópios. Enquanto materiais rochosos e gelados comuns são formados principalmente por oxigênio, magnésio, silício e ferro, na HS 0209+0832 os cientistas não detectaram esses elementos em quantidade relevante, mas encontraram grandes proporções de cobre, zinco e nióbio, substâncias geradas em fases avançadas da evolução estelar.

Dados do telescópio espacial TESS também revelaram que o brilho da anã branca varia em um padrão cíclico a cada 4 dias e meio, intervalo incompatível com o período de rotação do astro. O modelo elaborado pela equipe sugere que a oscilação seja produzida por um planeta gigante cuja face voltada para a estrela sofre forte aquecimento. Telescópios mais potentes, como o James Webb, deverão ser utilizados para verificar a existência definitiva desse sistema inédito e esclarecer os mecanismos de formação planetária ao redor de estrelas mortas.

FAQ

O que é uma anã branca e como ela se relaciona com a pesquisa?
Anãs brancas são os restos compactos deixados por estrelas de baixa massa após esgotarem seu combustível, servindo de base para o estudo de novos ciclos planetários.

Qual elemento químico surpreendeu os pesquisadores na atmosfera estelar?
O nióbio foi detectado pela primeira vez na atmosfera de uma anã branca, apresentando concentrações milhares de vezes superiores às registradas no Sistema Solar.

Como o planeta estaria sendo consumido pela estrela?
A radiação intensa emitida pelo remanescente estelar remove gás da atmosfera do planeta vizinho, fazendo com que parte desse material seja atraída para a superfície da estrela.

 

Com informações de Roberto Peixoto, g1

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