O governo do presidente Donald Trump avalia suspender temporariamente as exigências da Jones Act, uma lei de 1920 que restringe o transporte marítimo entre portos dos Estados Unidos a embarcações construídas, operadas e de propriedade de americanos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (12) pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. A iniciativa busca garantir que produtos vitais de energia e suprimentos agrícolas circulem sem gargalos logísticos em meio à crise gerada pelo conflito com o Irã.
A escalada nos preços da gasolina, que atingiu a média nacional de US$ 3,60 o galão nesta quinta, e do diesel, que chegou a US$ 4,89, exerce forte pressão política sobre a administração Trump. Com as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro, o governo tenta mitigar o impacto da inflação energética no bolso dos eleitores. A isenção, que pode ter duração inicial de 30 dias, permitiria que navios-tanque estrangeiros transportassem combustível da Costa do Golfo para regiões dependentes de importação, como o Nordeste e a Costa Oeste.
Desafios no Estreito de Ormuz e impactos reais
Especialistas em energia apontam que, embora a medida possa agilizar entregas domésticas, o impacto nos preços finais das bombas pode ser limitado. O problema central continua sendo a interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Com o Irã mantendo ataques e ameaças a navios na região, a oferta global segue restrita, mantendo o barril do tipo Brent acima dos US$ 100. Analistas da GasBuddy sugerem que a suspensão da lei ajudará mais a evitar desabastecimentos regionais do que a reduzir drasticamente os preços.
A Jones Act é defendida historicamente pela indústria naval e por sindicatos americanos como um pilar da segurança nacional e da soberania econômica. No entanto, em momentos de crise extrema, como durante furacões ou guerras, a legislação permite isenções por “interesse da defesa nacional”. A Casa Branca reforçou que a ação ainda não foi finalizada, mas sinalizou que medidas drásticas são necessárias enquanto a Marinha dos EUA ainda trabalha para garantir a segurança da navegação no Oriente Médio.









































