Em uma movimentação sem precedentes, os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais. A medida, anunciada nesta quarta-feira (11), busca estabilizar o mercado global de combustíveis, severamente impactado pela guerra no Irã. O volume é o maior já disponibilizado na história da agência e visa compensar a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa 25% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Apesar da intervenção massiva, o mercado reagiu com cautela. O petróleo tipo Brent registrou alta de 4% nesta quarta-feira, acumulando uma valorização de 30% desde o início das hostilidades. A retaliação iraniana contra alvos dos EUA e de Israel resultou no fechamento do estreito, por onde transitam diariamente 20 milhões de barris. Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica elevou o tom das ameaças, prometendo impedir a passagem de qualquer recurso que beneficie os aliados ocidentais, após relatar ataques a navios que tentaram atravessar a região sem autorização.
Especialistas alertam que o fôlego da medida é limitado. O montante liberado pela AIE equivale a apenas 20 dias do fluxo normal de Ormuz, representando cerca de um terço das reservas totais da agência. Ticiana Álvares, diretora técnica do Ineep, reforça que, embora a ação amorteça o impacto imediato nas bombas, um conflito prolongado pode levar o mercado global a um cenário de escassez profunda no longo prazo. Nos Estados Unidos, o impacto já é sentido pelos consumidores, com o galão de combustível atingindo o maior valor desde 2024.
A preocupação se estende também ao mercado de gás natural liquefeito (GNL), cujas opções de substituição são ainda mais escassas. Países asiáticos de alta renda e a Europa já travam uma disputa acirrada pelas cargas disponíveis de GNL provenientes do Catar e dos Emirados Árabes. Diante da gravidade da situação, o presidente francês Emmanuel Macron convocou uma reunião de emergência do G7 para esta quarta-feira, visando coordenar uma resposta conjunta das nações mais industrializadas à crise energética que se desenha.







































