No sexto dia de hostilidades no Oriente Médio, o cenário diplomático no continente europeu consolidou-se em favor da coalizão liderada por Washington e Jerusalém. Com exceção da Espanha, as principais potências da região — Reino Unido, França e Alemanha — manifestaram apoio político e logístico à ofensiva contra Teerã, atribuindo ao governo iraniano a responsabilidade exclusiva pela deflagração do conflito e exigindo a aceitação imediata das condições impostas por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
O Eixo de Apoio e a Estratégia das Potências
A postura das nações europeias reflete um realinhamento estratégico e, segundo especialistas, uma tentativa de barganha com a Casa Branca:
Alemanha: O chanceler Friedrich Merz demonstrou o alinhamento mais incisivo, visitando a Casa Branca e classificando o governo iraniano como “bárbaro”. Analistas veem na postura de Berlim uma tentativa de preservar a integridade da Otan e evitar ameaças territoriais de Trump, como a ventilada intenção de anexar a Groenlândia.
França: O presidente Emmanuel Macron enviou navios de guerra ao Oriente Médio para “operações defensivas” e anunciou o aumento do estoque de ogivas nucleares francesas, enquanto condena o programa atômico iraniano.
Reino Unido: Londres fornece suporte logístico crucial a partir de suas bases na região e coordena declarações conjuntas focadas na destruição da capacidade de mísseis do Irã.
Portugal e Itália: Lisboa autorizou o uso da base dos Açores pelos EUA, enquanto Roma foca no apoio aos países do Golfo e na crítica à repressão interna no Irã.
A Divergência Espanhola e o Direito Internacional
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tornou-se a única voz dissidente de peso no bloco. Sánchez relembrou os fracassos da Guerra do Iraque, alertando que a agressão atual pode desencadear novas crises migratórias e explosão nos preços de energia. “A questão é se estamos ou não do lado do direito internacional e da paz”, afirmou o líder espanhol, resistindo às ameaças de retaliação comercial feitas por Trump.
Para historiadores como Francisco Carlos Teixeira (UFRJ), a omissão da Europa em convocar o Conselho de Segurança da ONU fragiliza a legalidade internacional. Ao aceitar o atropelo das instâncias multilaterais, as potências europeias transformam a diplomacia em uma ferramenta de “subserviência”, ignorando que o ataque ocorreu durante processos de negociação.
Resposta do Irã
Em retaliação ao posicionamento europeu, a Guarda Revolucionária do Irã endureceu as ameaças no Estreito de Ormuz. Teerã alertou que navios de qualquer país que apoie a ofensiva — incluindo os europeus — estão proibidos de cruzar a via, o que pode paralisar o comércio global de petróleo e agravar a crise econômica mundial.











































