O presidente Donald Trump oficializou nesta quinta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, a criação do Conselho de Paz (Board of Peace). O órgão, idealizado e presidido de forma vitalícia pelo próprio republicano, tem como missão inicial a reconstrução e administração da Faixa de Gaza, mas pretende expandir sua atuação para outros conflitos globais.
Até o momento, 35 nações aceitaram formalmente integrar o conselho, entre as quais se destacam Argentina, Israel, Turquia, Arábia Saudita e Egito. O lançamento contou com a presença de aliados próximos de Trump, como o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, que assinaram o documento de fundação ao lado do líder norte-americano.
O governo brasileiro, embora convidado, mantém uma postura de cautela. O Palácio do Planalto informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prefere avaliar as implicações geopolíticas da iniciativa antes de uma resposta definitiva. Integrantes do Itamaraty devem se reunir com representantes do Vaticano ainda hoje para discutir uma posição coordenada sobre o tema.
A estrutura do conselho prevê uma taxa de adesão de 1 bilhão de dólares para países que desejarem um assento permanente no comitê executivo. Esse fundo bilionário será administrado sob a supervisão de Trump e de uma junta que inclui nomes como o secretário de Estado Marco Rubio, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
A iniciativa gerou críticas de potências tradicionais. França, Reino Unido, Alemanha e Noruega já manifestaram que não participarão do grupo, alegando que o conselho pode enfraquecer o papel da ONU e do Conselho de Segurança. Trump rebateu as críticas em Davos, afirmando que o novo órgão trabalhará em conjunto com as Nações Unidas, mas com maior agilidade executiva.
Historicamente, a criação de organismos internacionais fora do sistema multilateral da ONU é vista com desconfiança pela diplomacia tradicional. O Conselho de Paz de Trump marca uma mudança profunda na governança global, introduzindo um modelo de “clube de investimento” para a resolução de crises humanitárias e conflitos territoriais em áreas estratégicas.









































