O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, menosprezou nesta quarta-feira (7) a reação de países europeus membros da Otan diante das ameaças de Washington de anexar a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca.
Segundo Trump, “Rússia e China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA” e questionou se a aliança estaria presente caso os norte-americanos precisassem de apoio. Ele destacou ainda que seu governo pressionou os países da Otan a elevar os gastos com defesa de 2% para 5% do PIB, o que, segundo ele, seria impossível para muitos membros sem sua intervenção.
O presidente estadunidense justificou a intenção de anexar a Groenlândia citando a presença de navios chineses e russos no Mar do Ártico, reforçando que a ilha seria estratégica para a segurança dos EUA. Especialistas alertam, no entanto, que a anexação é ilegal segundo o direito internacional.
Reação internacional
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que qualquer ataque de um país da Otan contra outro seria “o fim de tudo”. Um comunicado conjunto de oito países da Otan — França, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca — defendeu a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia.
O comunicado ressaltou que “Cabe à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre assuntos que dizem respeito à Groenlândia”, e que os EUA são parceiros na segurança do Ártico, mas não detêm autoridade sobre o território.
Crítica militar europeia
O major-general português Agostinho Costa, especialista em geopolítica, classificou a postura de Trump como “bullying puro e duro” e disse que a Europa vive uma “orfandade” em relação aos EUA. Segundo ele, a Otan serve mais aos interesses estratégicos e militares norte-americanos, incluindo a presença de bases e armamento nuclear na Europa, do que à defesa europeia propriamente dita.
Costa também criticou o aumento dos gastos com defesa dos países europeus, imposto sob pressão de Trump, afirmando que isso resultou em transferência de recursos para a indústria militar dos EUA, já que a produção europeia não seria capaz de fornecer armamentos de ponta.
A situação evidencia o clima de tensão entre Washington e os aliados europeus, diante de iniciativas unilaterais que desafiam normas internacionais e a soberania de países membros da Otan.











































