Cinco dias após a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, as autoridades do país ainda não divulgaram um balanço oficial com o total de mortos, feridos e a extensão dos danos provocados pelos ataques. Informações oficiais divulgadas até a noite desta terça-feira (6) indicam que ao menos 58 pessoas morreram durante a ofensiva realizada no último sábado (3).
Segundo o governo venezuelano, a operação militar norte-americana teve como alvo a capital Caracas e os estados de Aragua, La Guaira e Miranda, envolvendo bombardeios a pontos estratégicos e a invasão de tropas. Durante a ação, o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cília Flores teriam sido sequestrados e levados à força para um centro de detenção temporária em Nova York, nos Estados Unidos.
Militares e civis entre as vítimas
De acordo com os dados divulgados até o momento, entre as vítimas estão 32 militares cubanos que integravam a equipe de segurança do presidente venezuelano, além de 24 integrantes das Forças Armadas da Venezuela. Também foram confirmadas duas mortes de civis.
Uma das vítimas civis é Rosa Elena Gonzáles, de 80 anos, moradora de La Guaira, que teve a casa atingida durante os bombardeios próximos à Academia Militar da Armada Bolivariana. A idosa chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O enterro ocorreu na segunda-feira (5).
A segunda morte civil confirmada é da colombiana Yohana Rodríguez Sierra, de 45 anos. O óbito foi confirmado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que criticou duramente a ação norte-americana. Segundo autoridades colombianas, a residência onde Yohana vivia com a filha foi atingida por um míssil lançado, possivelmente, contra estruturas de telecomunicações na cidade de El Hatillo, em Miranda.
Reações e homenagens
Nesta terça-feira (6), a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) realizou homenagens aos 24 soldados venezuelanos mortos na ação militar, que, segundo o governo local, ocorreu sem autorização do Congresso dos Estados Unidos e sem aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba também se manifestou, divulgando imagens dos 32 militares cubanos mortos e classificando a ofensiva como um “ato covarde e criminoso de terrorismo de Estado”.
Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump afirmou, sem fornecer números detalhados, que “muitas pessoas do outro lado” morreram durante a incursão, incluindo cubanos, e declarou que não houve baixas entre os militares dos EUA. Trump descreveu a operação como “taticamente brilhante”.
Ataques a embarcações ampliam número de vítimas
Além das mortes em solo venezuelano, a ofensiva dos Estados Unidos na região inclui ataques a pequenas embarcações no Mar do Caribe, sob a justificativa de combate ao tráfico internacional de drogas. Reportagem do jornal The New York Times aponta que, desde setembro de 2025, ao menos 115 pessoas teriam morrido em bombardeios contra 35 embarcações.
Caso os números sejam confirmados, o total de mortos em ações militares dos EUA na região chegaria a 173 vítimas em menos de cinco meses. Vídeos divulgados pelo próprio Departamento de Defesa norte-americano indicam que, em diversos casos, os tripulantes não tiveram chance de se render.
Entre as vítimas está o colombiano Alejandro Carranza, de 42 anos, morto em setembro de 2025. A família nega qualquer ligação dele com o narcotráfico e afirma que Carranza era pescador. O caso foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pelo governo colombiano.
Clima de tensão regional
A falta de dados oficiais consolidados, somada às críticas internacionais e às denúncias de violações do direito internacional, mantém o clima de tensão política e diplomática na América Latina, enquanto cresce a pressão por esclarecimentos e por uma investigação independente sobre a ofensiva militar.











































