O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) alterou a acusação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, retirando a alegação de que ele lideraria o suposto Cartel de Los Soles. A mudança consta na nova denúncia apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA no último sábado (3).
Na denúncia original, de 2020, o termo “Cartel de Los Soles” aparecia 33 vezes, com Maduro apontado como líder. Na nova peça, o cartel é citado apenas duas vezes e sem qualquer menção à liderança do presidente venezuelano. Agora, o documento descreve Maduro como parte de um “sistema de corrupção” que envolve elites venezuelanas e funcionários corruptos, sem caracterizar formalmente o cartel como uma organização criminosa.
A mudança tem sido interpretada por especialistas como um reconhecimento das dificuldades em comprovar a existência do cartel. Gabriela de Luca, advogada e consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, afirmou que a nova abordagem foca em condutas individualizadas de corrupção e narcotráfico, evitando rótulos amplos que poderiam justificar criminalização generalizada do Estado venezuelano.
Apesar da alteração, os EUA continuam acusando Maduro de envolvimento com o narcotráfico internacional, incluindo suposta parceria com narcoguerrilhas colombianas (FARC e ELN) e cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas. A denúncia detalha que Maduro e seus supostos cúmplices teriam distribuído toneladas de cocaína para os EUA, contando com corrupção de funcionários na região.
Durante a audiência em Nova York, Maduro declarou-se inocente e se autodenominou prisioneiro de guerra após ter sido sequestrado por forças militares norte-americanas. O governo venezuelano acusa os EUA de criar acusações de narcotráfico para justificar a intervenção no país e controlar as maiores reservas de petróleo do mundo.
Em contexto diplomático, o embaixador dos EUA junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), Leandro Rizzuto, reiterou que o petróleo venezuelano não pode ficar nas mãos de adversários do Hemisfério Ocidental, citando países como Irã, Rússia, China, Hezbollah e agências cubanas de inteligência.











































