O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou a possibilidade de diálogo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e descartou qualquer protagonismo da principal líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, no processo de transição política do país. As declarações foram feitas neste sábado (3), durante entrevista a jornalistas em Palm Beach, na Flórida.
Segundo Trump, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já teria conversado diretamente com Delcy Rodríguez, que pertence ao grupo político do presidente deposto e capturado Nicolás Maduro. De acordo com o presidente dos EUA, a vice-presidente estaria disposta a cooperar com o que Washington considera necessário para a reorganização do país.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela por um período indefinido, sem estabelecer prazos. Ele justificou a decisão alegando riscos em transferir o poder imediatamente a lideranças locais, defendendo uma transição que, segundo ele, evite o retorno de grupos considerados inadequados para governar.
Durante a entrevista, o presidente norte-americano reforçou que integrantes do próprio governo dos EUA, incluindo representantes civis e militares, estarão à frente da administração do país sul-americano até que, segundo suas palavras, a Venezuela volte a gerar riqueza, estabilidade e melhores condições de vida para a população.
Questionado sobre o papel de Maria Corina Machado, Trump descartou a possibilidade de ela liderar o processo de transição. O presidente afirmou que a opositora não teria apoio interno suficiente nem respeito político dentro da Venezuela para assumir a liderança.
Trump também comentou a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e da esposa, Cília Flores. Ele afirmou que houve resistência armada, troca de tiros e tentativa de fuga, reconhecendo que a ação poderia ter terminado com a morte do ex-presidente venezuelano.
Pouco antes da coletiva, Trump publicou em sua rede social Truth Social uma imagem atribuída a Maduro, sugerindo que ele estaria a bordo do navio militar norte-americano USS Iwo Jima, para onde teria sido transferido após a captura.
Contradição
Apesar do aceno de diálogo feito por Trump, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento público exigindo a libertação imediata de Nicolás Maduro. A vice-presidente afirmou que a Venezuela não aceitará submissão ao governo norte-americano e que o país vai resistir à intervenção.
A declaração ocorreu pouco depois de Trump afirmar que os Estados Unidos governariam a Venezuela até uma “transição segura”, admitindo também que empresas norte-americanas explorariam o petróleo venezuelano durante esse período. Delcy Rodríguez participou da reunião do Conselho de Defesa da Nação ao lado de autoridades civis, militares e do Judiciário venezuelano.











































