O ataque dos Estados Unidos à Venezuela representa uma ofensiva do governo Donald Trump para fortalecer a extrema-direita transnacional na América Latina. A avaliação é da professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Segundo a especialista, a aproximação entre governos alinhados à extrema-direita faz parte de um projeto político mais amplo conduzido por Trump na região. Em contrapartida, há uma pressão direta sobre países e lideranças que adotam posições contrárias a essa ideologia.
Para Clarissa Forner, a ação reafirma uma característica central do chamado trumpismo: a articulação de redes transnacionais de extrema-direita como estratégia geopolítica. Esse movimento, explica, busca enfraquecer governos ou forças políticas de oposição e consolidar aliados ideológicos no continente.
Instabilidade como estratégia
A professora avalia ainda que os Estados Unidos se reafirmam como um fator de instabilidade regional e global. No caso venezuelano, ela aponta que a tendência é de agravamento do cenário interno, com poucas perspectivas de solução por meio de uma administração ou intervenção militar estrangeira.
Clarissa destaca que o governo Trump adota um modus operandi baseado na produção de crises, criando justificativas para ações que escapam aos limites da legalidade internacional. Nesse contexto, ela cita a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa como exemplos de medidas legitimadas por um discurso de combate ao crime e à crise política.
Risco de novas intervenções
Outro ponto levantado pela pesquisadora é a possibilidade de novas ações semelhantes na região. De acordo com sua análise, o discurso adotado por Trump não fecha a porta para futuras intervenções, sinalizando que a Venezuela pode não ser um caso isolado.
Esse cenário, segundo a professora, amplia a sensação de insegurança política na América Latina e reforça o papel dos Estados Unidos como ator disposto a intervir diretamente para defender seus interesses estratégicos.
Contexto histórico
O ataque à Venezuela marca mais um capítulo das intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão militar norte-americana na região ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusações de narcotráfico.
Assim como naquele episódio, os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel de drogas, o chamado Cartel de los Soles, alegação que é questionada por especialistas em tráfico internacional. Para críticos, a ação atual tem motivações geopolíticas, incluindo o afastamento da Venezuela de aliados como China e Rússia e o controle sobre suas vastas reservas de petróleo.











































