A Argentina anunciou novas restrições migratórias contra venezuelanos ligados ao regime de Nicolás Maduro. A medida impede a entrada de funcionários públicos, integrantes das forças armadas e empresários associados ao antigo governo venezuelano, em meio à escalada da crise política na região.
Segundo nota divulgada neste sábado (3) pelo Ministério da Segurança Nacional, as novas regras têm como objetivo evitar que aliados do regime deposto utilizem o território argentino como abrigo. O comunicado é direto ao afirmar que o país não concederá asilo a colaboradores do governo de Maduro.
O endurecimento ocorre logo após a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em declaração oficial, o presidente argentino Javier Milei afirmou celebrar a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, classificando o ex-presidente venezuelano como um “inimigo da liberdade” no continente.
Milei comparou a situação da Venezuela atual à Cuba dos anos 1960, período que marcou o início do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos ao governo cubano após a Revolução de 1959. O bloqueio a Cuba, mantido há mais de seis décadas, é amplamente condenado pela comunidade internacional por violar o direito internacional.
A decisão da Argentina se insere em um contexto mais amplo de reposicionamento geopolítico na América Latina. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela marca a primeira intervenção direta norte-americana na região desde 1989, quando o então presidente do Panamá, Manuel Noriega, foi capturado sob acusações de narcotráfico.
Assim como no caso panamenho, o governo norte-americano acusa Nicolás Maduro de liderar o suposto cartel De Los Soles. Especialistas em tráfico internacional de drogas, no entanto, questionam a existência da organização e apontam ausência de provas públicas.
Antes da operação, o governo Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos da ação, a ofensiva tem motivações estratégicas, como afastar a Venezuela da influência de China e Rússia e ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, que concentra as maiores reservas comprovadas do mundo.
As novas regras argentinas reforçam o alinhamento do governo Milei à política externa dos Estados Unidos e devem impactar diretamente o fluxo migratório de figuras ligadas ao antigo poder em Caracas.











































