Pesquisadores da Unesp em Araraquara avançam na recuperação de cobre de resíduos eletrônicos com métodos mais sustentáveis, contribuindo para a redução de impactos ambientais e o reaproveitamento de metais de valor econômico. O estudo foi desenvolvido pelo Grupo de Abordagens Analíticas Alternativas (GAAA) do Instituto de Química (IQ), coordenado pela professora Fabíola Manhas Verbi Pereira.
A pesquisa concentra-se no cobre devido à sua alta concentração nos resíduos eletrônicos e à complexidade de extração. Como destaca o pós-doutorando Dennis Silva Ferreira, a recuperação eficiente do cobre é determinante para a obtenção de outros metais presentes em menores quantidades nas placas e circuitos eletrônicos.
Processo de extração mais sustentável
O método adotado utiliza hidrometalurgia, processo em que soluções químicas dissolvem o cobre, evitando o uso de altas temperaturas típicas da fundição convencional. Antes da lixiviação, as placas eletrônicas são trituradas e peneiradas, aumentando a área de contato com os reagentes e tornando a extração mais eficiente.
Foram testadas três soluções: ácido nítrico, mistura de ácido nítrico com cloreto de sódio e água como referência. Através de planejamento de experimentos, os pesquisadores analisaram variáveis como temperatura e tempo de contato, realizando 33 experimentos de forma sistemática para identificar as condições ideais de lixiviação.
Resultados e análise
Entre as soluções avaliadas, o ácido nítrico isolado apresentou maior eficiência na extração do cobre. Técnicas analíticas como fluorescência de raios X e espectroscopia de plasma induzido por laser confirmaram a redução expressiva de cobre no material sólido. Além disso, algoritmos de ciência de dados desenvolvidos pelo próprio grupo permitiram processar grandes volumes de informação e avaliar o desempenho do processo de forma precisa.
Próximos passos da pesquisa
A equipe planeja avançar na recuperação de metais nobres, como ouro, prata e estanho, e nas etapas posteriores à lixiviação, transformando o cobre recuperado em produtos sólidos reutilizáveis. Também estão previstos estudos sobre os impactos ambientais dos resíduos eletrônicos em plantas, para avaliar a absorção de metais e os efeitos no desenvolvimento vegetal.
Segundo a professora Fabíola Pereira, o objetivo é consolidar uma abordagem que integre química, análise de dados e avaliação ambiental, criando soluções mais eficientes e sustentáveis frente ao crescimento do lixo eletrônico.











































