Pesquisa do Ipea: Indígenas são apenas 0,38% dos líderes científicos

Estudo revela que o Brasil possui apenas 252 indígenas no comando de grupos de pesquisa, número proporcionalmente inferior à representação da etnia na população brasileira.

Fonte: Agência Brasil - 50

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Pesquisa do Ipea: Indígenas são apenas 0,38% dos líderes científicos
foto - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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  • Estudo do Ipea mostra que apenas 252 indígenas são líderes de pesquisa no Brasil, equivalendo a 0,38% dos cientistas nessa função.
  • Apesar do aumento de 46 líderes em 2000 para 252 atualmente, especialistas consideram lenta a inclusão e apontam predominância masculina.
  • Pesquisadores do Ipea querem ouvir cientistas indígenas para entender como suas trajetórias e cosmovisões impactam e diversificam a ciência nacional.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A produção de conhecimento no Brasil ainda enfrenta um cenário de sub-representação étnica, conforme aponta um estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Atualmente, o país conta com 252 indígenas atuando como líderes de pesquisa, o que representa apenas 0,38% do total de cientistas nessa categoria, enquanto a população indígena soma 0,83% dos brasileiros.

O papel do líder de pesquisa é fundamental para a soberania intelectual do país, pois são esses profissionais que definem as linhas de investigação, coordenam recursos e orientam novos talentos. Segundo o CNPq, para exercer essa função, o pesquisador deve gerenciar seu grupo no Diretório de Grupos de Pesquisa da Plataforma Lattes, que é o termômetro da produção científica nacional.

Embora os dados mostrem um crescimento — saltando de 46 líderes em 2000 para os atuais 252 —, a velocidade da inclusão é considerada lenta pelos especialistas. O boletim Radar, onde o artigo foi publicado, destaca que o predomínio masculino ainda é forte, com exceção das ciências da vida, como biotecnologia e saúde, onde a presença feminina indígena é mais expressiva.

Os pesquisadores do Ipea, Igor Tupy e Tulio Chiarini, responsáveis pelo levantamento, pretendem agora aprofundar a investigação ouvindo os cientistas indígenas. O objetivo é entender como suas trajetórias e cosmovisões impactam a ciência tradicional, desafiando ou complementando métodos estabelecidos e enriquecendo a diversidade acadêmica do Brasil.

Historicamente, o acesso de populações tradicionais ao ensino superior e à pós-graduação foi limitado por barreiras socioeconômicas. A valorização desses líderes é vista como um passo essencial para que o Brasil desenvolva soluções científicas que integrem o conhecimento ancestral às demandas tecnológicas contemporâneas, promovendo uma ciência mais justa e plural.

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