O acirramento das tensões no Oriente Médio deve gerar efeitos distintos na balança comercial brasileira. Segundo avaliação do diretor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, o Brasil, como exportador líquido de petróleo, tende a registrar um aumento no saldo financeiro das vendas de combustíveis caso os preços internacionais sigam pressionados pelo conflito.
Por outro lado, a região é um destino estratégico para o agronegócio nacional. O Oriente Médio absorve atualmente 32% do milho e 30% da carne de frango exportados pelo Brasil, além de volumes expressivos de açúcar e produtos com certificação Halal. O governo acredita, contudo, que qualquer retração nessas vendas será passageira, dada a natureza essencial desses produtos.
Mudanças nos Principais Parceiros Comerciais
Os dados de fevereiro também revelam uma reconfiguração nos fluxos de comércio com as maiores economias do mundo:
China em Alta: As exportações para os chineses saltaram 38,7%, atingindo US$ 7,2 bilhões. O Brasil registrou um superávit de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no mês.
Estados Unidos em Queda: Pelo sétimo mês consecutivo, as vendas para o mercado estadunidense recuaram (-20,3%). O movimento é reflexo da sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump em 2025. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado a taxa recentemente, os efeitos positivos na balança devem demorar meses para aparecer.
União Europeia: Registrou um crescimento robusto de 34,7% nas exportações brasileiras, consolidando um superávit de US$ 931 milhões para o Brasil.
Argentina e Outras Regiões
O comércio com a Argentina apresentou retração em ambas as pontas: as exportações caíram 26,5% e as importações recuaram 19,2%. No cenário global, as estatísticas de importação do Brasil também foram influenciadas pela compra de uma plataforma de petróleo da Coreia do Sul, avaliada em US$ 2,5 bilhões, o que alterou pontualmente o saldo com a região asiática.









































