O ataque ao Irã pode elevar o preço do petróleo no mercado internacional e gerar efeitos em cadeia na economia global. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado (28).
O principal fator de preocupação é o possível fechamento do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Gargalo no Estreito de Ormuz
Localizado no sul do Irã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta. Em momentos anteriores de tensão, Teerã já ameaçou restringir o tráfego como forma de pressão geopolítica.
Para o pesquisador Leonardo Paz Neves, do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), o impacto mais imediato seria um estrangulamento na oferta global.
“Vai criar um gargalo muito sério no abastecimento e no preço do petróleo internacional”, afirma.
Na avaliação do professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Williams Gonçalves, a interrupção no fluxo da commodity pode “desorganizar a economia global”, atingindo inclusive países distantes da área de conflito.
Negociações sob risco
Além da questão energética, especialistas apontam que a ofensiva militar compromete as tratativas diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano.
Estados Unidos e Irã vinham participando de rodadas de negociação com mediação de Omã para discutir limites ao desenvolvimento nuclear do país persa. O último encontro ocorreu na quinta-feira (26).
Segundo Leonardo Paz Neves, a ação militar no meio do processo mina a confiança entre as partes.
“Os Estados Unidos vão lá e atacam no meio do caminho. Então, obviamente, jogam o acordo no lixo”, avalia.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o objetivo da ofensiva é defender cidadãos americanos e impedir que o Irã desenvolva armas nucleares — algo que Teerã nega, sustentando que seu programa tem fins pacíficos.
Para Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), as exigências norte-americanas eram elevadas e dificilmente seriam aceitas pelo governo iraniano.
Escalada militar e incertezas
A tensão aumentou após a Guarda Revolucionária Islâmica anunciar ataques contra bases militares que abrigam forças americanas em países do Golfo.
Especialistas alertam que o cenário é de escalada, com risco de ampliação do conflito. O Irã é considerado uma potência regional com capacidade militar relevante e alianças estratégicas que tornam qualquer ofensiva prolongada imprevisível.
Na avaliação dos analistas, além do impacto imediato sobre o petróleo, o agravamento das hostilidades pode gerar volatilidade nos mercados financeiros, pressionar cadeias de suprimento e ampliar a instabilidade política no Oriente Médio.










































