Os embaixadores da União Europeia (UE) aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), a assinatura do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, considerado o maior pacto de livre comércio já negociado pelo bloco europeu. A decisão ocorre após mais de 25 anos de negociações e meses de intensas disputas políticas entre os Estados-membros.
Segundo diplomatas europeus, ao menos 15 países, representando 65% da população total da UE, manifestaram voto favorável, percentual mínimo exigido para a aprovação preliminar. As capitais europeias têm prazo até 13h (horário de Brasília) para confirmar formalmente seus votos por escrito.
A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há cerca de um ano, defende o acordo como estratégico para abrir novos mercados, compensar perdas decorrentes das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência econômica da China, especialmente no acesso a minerais essenciais. Países como Alemanha e Espanha foram defensores centrais da proposta.
Por outro lado, a França, maior produtora agrícola da UE, lidera a oposição ao acordo, alegando que ele pode aumentar a entrada de produtos agrícolas mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, prejudicando agricultores europeus. Protestos do setor rural foram registrados nesta sexta-feira em diversos países, com bloqueios de rodovias na França e Bélgica e manifestações na Polônia.
Caso as confirmações sejam concluídas, o caminho ficará aberto para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — possivelmente já na próxima semana. O texto ainda precisará passar pela aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor.
O acordo prevê a eliminação de cerca de € 4 bilhões em tarifas sobre exportações europeias. Atualmente, os países do Mercosul aplicam tarifas elevadas, como 35% sobre autopeças, 28% sobre produtos lácteos e 27% sobre vinhos. Em 2024, o comércio entre os blocos movimentou aproximadamente € 111 bilhões, com exportações europeias concentradas em maquinário, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul exporta principalmente produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.
Para tentar reduzir resistências, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas para produtos agrícolas sensíveis, reforçou controles de importação, criou um fundo de crise e prometeu apoio adicional aos agricultores. Mesmo assim, países como França e Polônia mantêm posição contrária, enquanto a Itália, que havia rejeitado o acordo em dezembro, mudou de posição e votou favoravelmente nesta sexta-feira.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que a disputa ainda não terminou e prometeu atuar pela rejeição do texto no Parlamento Europeu. Organizações ambientalistas também criticam o acordo, classificando-o como prejudicial ao clima.
Já o presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, demonstrou confiança na aprovação final, que deve ocorrer entre abril e maio.











































