O Brasil e o México firmaram nesta quinta-feira (28) acordos para ampliar o comércio agrícola e industrial entre os dois países. O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ao final de sua visita oficial à capital mexicana.
Durante audiência com a presidenta Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional, Alckmin destacou que os países abrirão mercados para novos produtos. O Brasil poderá exportar aspargos, pêssegos e derivados de atum, enquanto o México terá acesso para vender ao Brasil farinha de ração animal para bovinos e suínos.
“Foi uma conversa muito proveitosa. Tratamos de multilateralismo, democracia, inclusão e combate à fome”, afirmou o vice-presidente.
Comércio bilateral
Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina. Em 2024, a corrente de comércio entre os países somou US$ 13,6 bilhões.
O governo brasileiro também pediu a manutenção do Pacote contra a Inflação e a Escassez (Pacic), que facilita a compra de alimentos pelo Brasil. O México, segundo maior destino da carne bovina brasileira, exige rastreabilidade individual dos animais — medida que o Brasil já iniciou com cronograma definido.
Outras áreas de cooperação
Além da agricultura, os países avançaram em sanidade e saúde pública, com acordos para aprovação de novos fármacos e cooperação em pesquisas sobre arboviroses, como a dengue.
Outro tema foi a atualização do Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53), firmado em 2002, que prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação em cerca de 800 produtos.
Avanços da Embraer
Na agenda empresarial, a Embraer fechou a venda de 20 aeronaves E190 e E195 para a estatal Mexicana de Aviación. O governo brasileiro também propôs a negociação da venda do cargueiro multimissão KC-390, capaz de transportar até 26 toneladas, realizar reabastecimento em voo e missões humanitárias.
“A Embraer já está presente no México, com fábrica de componentes e mais de mil colaboradores. Colocamos a pretensão de oferecer o KC-390. Não foi resolvido, mas ficou o pleito brasileiro com todos os argumentos favoráveis”, disse Alckmin.