As narrativas dos curtas Destino da Pele e Beira chegam a Porto Velho com uma proposta que vai além do cinema: provocar reflexão sobre temas como racismo, intolerância religiosa, misoginia, homofobia e diversidade.
As sessões ocorrem na sexta-feira, 13 de março, em dois espaços distintos da capital. A primeira exibição será às 9h, no auditório do Ministério Público do Trabalho, em atividade promovida pelo projeto Cine MPT. Após a apresentação dos filmes, haverá roda de conversa com a equipe das produções e o público.

Já a segunda sessão acontece às 19h, no Templo Espiritualista de Umbanda Nosso Lar, ampliando o debate em um espaço ligado à espiritualidade e à cultura afro-brasileira.
Cinema como ferramenta de reflexão social
Dirigidos por Marcela Bonfim, os dois curtas abordam realidades presentes no cotidiano amazônico e buscam estimular o diálogo sobre desigualdades históricas e transformações sociais.
Segundo a diretora, o audiovisual pode contribuir para ampliar a compreensão dessas experiências e estimular novas formas de olhar para a realidade.
“O cinema é um mecanismo de apresentar a realidade que vivenciamos e também de provocar reflexão sobre como podemos ressignificar essas experiências”, destaca.
Destino da Pele
O curta Destino da Pele acompanha a trajetória de Tereza, mulher negra retinta e benzedeira que vive em Guajará-Mirim, cidade de fronteira marcada pela diversidade cultural e religiosa.
Respeitada pela comunidade por seu trabalho espiritual, Tereza dedica a vida a atender pessoas que buscam cura, proteção e orientação. Durante um desses atendimentos, ela reencontra um antigo colega de infância que, no passado, praticava racismo contra ela.

O encontro traz à tona memórias dolorosas e evidencia as marcas deixadas pelo preconceito, mas também abre espaço para reflexão e reconstrução. O filme constrói um relato sensível sobre memória, identidade e resistência de mulheres negras na Amazônia.

Beira
Já o curta Beira acompanha Eva, personagem que retorna a Porto Velho após a morte da avó, uma benzedeira e parteira respeitada pela comunidade.
Ao tentar resgatar a casa e os objetos deixados pela matriarca, Eva mergulha em lembranças e afetos que atravessam gerações. A narrativa explora temas ligados à ancestralidade, espiritualidade e vivências negras e LGBTQIA+ nas margens da cidade.
O elenco reúne Keline Leigue da Silva, Rafaela Brito Correia, Regina Coely, Amanara Brandão dos Santos Lube e Agrael de Jesus.
A obra teve estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes e também integrou a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, um dos principais eventos dedicados ao curta-metragem no mundo.
Debate sobre a realidade amazônica
Para Marcela Bonfim, promover espaços de exibição e debate é fundamental para ampliar o diálogo sobre questões sociais presentes na região amazônica.
A diretora ressalta que discutir temas como racismo, intolerância religiosa, violência de gênero e diversidade por meio do cinema ajuda a aproximar o público dessas realidades e fortalece a consciência coletiva sobre os desafios e possibilidades de transformação social.







































