Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o município de Irituia, no Pará, será palco de uma programação cultural que destaca o protagonismo feminino dentro de uma das expressões mais marcantes da cultura amazônica: o Carimbó.
No dia 7 de março acontece a Gira Mulheres e LGBTQIAP+ na Roda de Carimbó, iniciativa organizada pelo coletivo Carimbó Volta ao Mundo em parceria com o grupo Flor de Irituia. O encontro será realizado na Associação Mãos Amigas de Irituia (AMAI) e reunirá vivências musicais, oficinas culturais, cineclube, roda de conversa e uma grande roda de carimbó.
Para a cantadeira e brincante Elis Tarcila, integrante do coletivo organizador, o evento vai além da celebração cultural e representa também um momento de reafirmação política dentro da cultura popular.
“Os grupos de carimbó de mulheres trabalham o ano inteiro. A gente trabalha até dormindo”, afirma. Segundo ela, realizar a gira durante a semana do Dia da Mulher reforça a importância da luta por espaço, visibilidade e reconhecimento dentro de um patrimônio cultural construído também pelas mulheres.
Cultura e resistência
Embora o carimbó seja reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, mulheres ainda enfrentam desafios e episódios de discriminação dentro da própria cena cultural. Integrantes do coletivo relatam que situações de intimidação e violência ainda acontecem em algumas rodas tradicionais.

Um dos episódios citados ocorreu durante uma atividade na Feira do Açaí, em Belém, onde o grupo realiza há cerca de quatro anos a ocupação cultural Carimbó da Resistência, criada justamente para garantir um espaço seguro para mulheres e pessoas da diversidade dentro da cultura popular.
Para a integrante do coletivo Andrezza Mota, a gira surge como resposta a esse cenário.
“A gente criou essa roda para destacar quem historicamente fica à margem. As mulheres, as pessoas LGBTQIAP+, os corpos dissidentes. A ideia é construir um espaço de acolhimento e também de protagonismo dentro do carimbó”, explica.
Troca cultural entre territórios
A circulação do projeto até Irituia acontece por meio do apoio do Edital de Circulação nº 02/2025 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), executado pelo Governo do Pará.
A iniciativa permite que experiências culturais construídas em Belém sejam compartilhadas com outras comunidades do interior do estado, fortalecendo redes culturais e ampliando o diálogo entre grupos tradicionais.
Criado em 2020, o coletivo Carimbó Volta ao Mundo reúne mulheres que atuam como cantadeiras, instrumentistas e produtoras culturais, entre elas Elis Tarcila, Andrezza Mota, Vitória, Beá e Anne. O grupo atua com instrumentos tradicionais como banjo, maracá e tambor, além do canto.
Antes da gira, o coletivo também produziu uma série de vídeos dedicados às mulheres do carimbó, registrando histórias e trajetórias de referências femininas da cultura popular amazônica.
Agenda continua em Belém
Após o encontro em Irituia, o grupo seguirá com atividades culturais em Belém, participando do 3º Fórum Mulheridades e Diversidades no Carimbó, programado para os dias 14 e 15 de março, com encerramento em uma roda de carimbó aberta ao público na Feira do Açaí.
A expectativa das organizadoras é fortalecer o debate sobre igualdade, diversidade e valorização das mulheres dentro do patrimônio cultural amazônico.









































