O cinema brasileiro volta ao centro das atenções internacionais às vésperas da cerimônia do Globo de Ouro, marcada para este domingo (11), em Los Angeles. O longa O Agente Secreto, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, representa o Brasil com três indicações, incluindo, de forma inédita, a categoria principal de Melhor Filme de Drama.
Além da disputa mais cobiçada da noite, a produção concorre também a Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura no papel principal. É a primeira vez que um filme brasileiro alcança uma indicação na principal categoria dramática do Globo de Ouro, marco considerado histórico para o audiovisual nacional.
O reconhecimento amplia um movimento iniciado em 2025, quando Fernanda Torres venceu como Melhor Atriz por sua atuação em Ainda Estou Aqui, reposicionando o Brasil no radar das grandes premiações e atraindo atenção renovada da indústria cinematográfica internacional.
Trajetória internacional sólida
Desde sua estreia no Festival de Cannes, em 2025, O Agente Secreto vem acumulando prêmios, elogios da crítica especializada e forte circulação internacional. O ponto alto mais recente foi a vitória inédita no Critics Choice Awards como Melhor Filme Internacional — a primeira do Brasil nessa categoria.
O desempenho reforçou a campanha do filme junto aos votantes e projetou ainda mais Wagner Moura, que passou a figurar entre os favoritos em listas de veículos especializados, como a revista Vanity Fair. A atuação em língua portuguesa, após mais de uma década do ator em produções internacionais, foi amplamente destacada.
No Globo de Ouro, a divisão das categorias de atuação favorece uma disputa considerada aberta. Moura não concorre com nomes como Leonardo DiCaprio ou Timothée Chalamet, posicionados em outra categoria, e enfrenta atores como Michael B. Jordan e Dwayne Johnson.
Estratégia e visibilidade internacional
O perfil internacional do Globo de Ouro também contribui para o bom momento do filme. A premiação reúne 334 votantes de 85 países, o que amplia o espaço para produções estrangeiras com circulação global e campanhas consistentes. A presença constante de Kleber Mendonça Filho e da equipe do longa em debates, exibições especiais e encontros com eleitores foi decisiva nesse processo.
A concorrência, no entanto, é forte. Em Melhor Filme em Língua Não Inglesa, o longa brasileiro disputa com produções como Os Excelentes, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Cirate – A Voz de Rindi Rásda e A Única Saída. Já em Melhor Filme de Drama, enfrenta títulos de grande orçamento e visibilidade internacional, como Frankenstein, Hamnet, Pecadores e Sarraf.
Impacto cultural e de público
A trajetória recente ajuda a explicar o otimismo. Com a vitória no Critics Choice, o filme conquistou o chamado trifecta da crítica norte-americana, ao ser premiado também pela National Society of Film Critics, pelo New York Film Critics Circle e pela Los Angeles Film Critics Association. Ao todo, O Agente Secreto soma 48 prêmios internacionais.
No circuito comercial, os números reforçam o impacto. Em sua nona semana em cartaz no Brasil, o filme ultrapassou 1,1 milhão de espectadores. Na França, o público se aproxima de 300 mil pessoas, e o longa tem estreias programadas para Itália e Espanha no fim de janeiro, além de lançamento no Reino Unido e na Irlanda em fevereiro.
A agenda segue intensa: o filme concorre ainda ao Independent Spirit Awards, figura entre os indicados ao Lumières, da crítica francesa, e integra a shortlist do Oscar nas categorias de Melhor Filme Internacional e Elenco. As indicações finais da Academia serão anunciadas em 22 de janeiro.









































