No Momento Agro, o dia começou cedo e com um propósito bem claro, mostrar, na prática, como a piscicultura está se organizando para produzir com qualidade, reduzir perdas e ganhar mercado. Com o oferecimento de Brasil Digital, Berto Tratores e Água Mineral MinaLinda, a equipe foi até uma propriedade em Porto Velho para acompanhar uma despesca, a etapa em que o peixe é retirado do viveiro e segue para a indústria, já com logística definida e padrão de qualidade.
Ao lado do apresentador, a parceira do episódio foi Júcilene Cavalli, que voltou ao programa para retomar um assunto que, segundo ela, vinha sendo construído há quase um ano, o avanço do ProAqua, projeto criado para apoiar produtores e fortalecer a cadeia da piscicultura em Rondônia. A visita do dia teve um cenário que, por si só, já conta uma história de trabalho diário, planejamento e “mão na massa”, a propriedade onde a produção é organizada em etapas, com uma estratégia que chamou atenção, a despesca escalonada.
O que é despesca e por que ela muda tudo
A despesca, como explicou Júcilene, é mais do que “tirar peixe do tanque”. É o momento de entregar ao mercado aquilo que foi cuidado por meses. Para dar certo, exige coordenação, equipamentos, gente treinada e decisão rápida. E, principalmente, exige método, porque a forma como o peixe é manejado nessa etapa interfere na qualidade final do produto.
Na rotina mostrada pelo programa, o processo passa por redes e cercos em etapas, evitando apertar demais o cardume e reduzindo o estresse. Essa escolha, segundo os entrevistados, não é só questão de conforto do animal, é padrão de manejo e também impacto direto na qualidade da carne. Em despescas maiores, a operação vira uma maratona, com começo ao amanhecer e, dependendo do volume, trabalho até a noite.
Ciclo de produção, escalonamento e economia de tempo
O produtor explicou que o ciclo começa com a chegada de larvas, que são adensadas em tanque pequeno, depois seguem para berçário e, na sequência, para tanques de engorda. Essa divisão por fases economiza espaço, organiza o ritmo da fazenda e ainda reduz tempo até o peixe chegar ao peso de mercado.
O ganho mais comentado foi a possibilidade de economizar cerca de 3 a 4 meses no ciclo, graças ao escalonamento e à distribuição do peixe por fases. Na prática, isso permite planejamento melhor e mais regularidade, algo que todo comprador quer, constância.
Abate no gelo e padrão de qualidade
Uma parte que chamou atenção foi o cuidado no abate no gelo, descrito como essencial para a qualidade do produto. O peixe passa pelo choque térmico, solta o sangue e isso ajuda a carne a ficar mais limpa, clara e com padrão mais valorizado pelo mercado. A própria água ficando avermelhada na caixa, durante o processo, é uma evidência do procedimento.
Esse ponto conecta diretamente com uma dúvida comum de quem compra peixe, o “gosto de barro”. E a resposta foi direta, não é “cor do peixe” que determina o sabor. O sabor está no manejo, na qualidade da água, no controle de ração e, principalmente, em um detalhe decisivo, ração que flutua.
Segundo o produtor, quando a ração afunda, o peixe vai ao fundo, acaba ingerindo sedimento e isso pode influenciar no gosto. Por isso, a ração precisa ser bem processada e testada. O programa também destacou que o custo da alimentação pesa muito na conta, podendo chegar a grande parte do custo de produção, e que o teor de proteína muda conforme a fase do peixe.
ProAqua, ponte entre produtor, indústria e regularização
Júcilene explicou que o ProAqua atua em eixos práticos, suporte ao produtor, organização da comercialização e aproximação com a indústria. Um exemplo é o software de gestão, usado para monitorar custos, manejo, rotina e decisões de produção. O produtor contou que, com equipe treinada, as análises são acionadas quando aparece qualquer comportamento diferente, peixe “boiando”, mudança de apetite ou sinal de problema, permitindo resposta rápida.
Outro ponto forte do ProAqua é a articulação para que o produtor tenha opções de venda e contatos com diferentes compradores, além da aproximação com órgãos e rotinas de documentação, algo que pesa principalmente para quem ficou um tempo parado e quer retomar.
Frigoríficos, mercado e a retomada da piscicultura
No debate, apareceu um dado importante, a produção de Rondônia já foi maior e hoje vive fase de retomada. O próprio contexto citado no programa aponta que muitos pequenos produtores reduziram ou pararam durante períodos de instabilidade e agora voltam, esbarrando em regularização e licenças.
O levantamento apresentado no episódio citou indústrias de processamento no estado e destacou a presença de agroindústrias na região de Porto Velho, o que ajuda a dar vazão para quem produz, desde que a oferta volte a crescer com qualidade e regularidade.
No fechamento, ficou uma mensagem clara do Momento Agro, não existe mais piscicultura amadora com margem apertada. Quem quer resultado precisa de rotina, controle, tecnologia e parceria. E, quando isso se encaixa, a despesca deixa de ser apenas uma etapa do calendário e vira vitrine de um setor que quer crescer com padrão e respeito ao consumidor.










































