A mobilização global para o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 deixou um legado técnico e estrutural permanente para o sistema de saúde brasileiro. Segundo o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), o acúmulo científico permitiu que o país nacionalizasse a produção e abrisse caminho para novos tratamentos.
A diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, destaca que as plataformas utilizadas na pandemia não surgiram do nada, mas sim de décadas de pesquisa prévia. O instituto foi responsável por trazer a tecnologia de Oxford/Astrazeneca ao Brasil, entregando 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.
A infraestrutura fabril adaptada para a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) em solo nacional agora serve a outros propósitos. Um dos projetos beneficiados é a terapia avançada para atrofia muscular espinhal (AME), que utiliza a mesma plataforma de vetor viral da vacina para reduzir custos ao governo.
Além das terapias genéticas, a Fiocruz inicia este ano testes em humanos para uma vacina nacional de RNA mensageiro. O objetivo é garantir a soberania nacional na produção de imunizantes, reduzindo a dependência de insumos importados e barateando o fornecimento de doses para o controle de novos surtos.
O desempenho do laboratório público durante a crise sanitária também rendeu reconhecimento internacional. Atualmente, Bio-Manguinhos atua como um centro global de preparação para futuras epidemias e como referência regional da Organização Mundial da Saúde para o desenvolvimento de novas tecnologias.










































