Janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, voltada à conscientização sobre a hanseníase, uma doença infecciosa crônica que ainda representa um desafio relevante de saúde pública, especialmente na região Norte do país. Em Rondônia, onde os índices permanecem elevados, a informação correta e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar sequelas e interromper a transmissão.
A hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos e, quando não tratada adequadamente, pode provocar dores, deformidades e incapacidades físicas permanentes. De acordo com a médica Ana Paula Barancelli Hamud, docente da Pós-Graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica, em Porto Velho, a atenção aos sinais iniciais é decisiva. “Trata-se de uma doença que tem cura, mas que exige identificação precoce e busca oportuna por atendimento médico”, explica.
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. No cenário nacional, Rondônia está entre os estados com maior prevalência da doença. Segundo a especialista, esse contexto está associado a fatores sociais e estruturais, como desigualdade social, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e, principalmente, diagnóstico tardio. “A falta de informação faz com que muitas pessoas só procurem ajuda quando já existem sequelas”, destaca.
Sinais que não devem ser ignorados
Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele com alteração ou perda de sensibilidade, além de dormência, formigamento, dor ou perda de força nas mãos e nos pés. Esses sintomas indicam possível comprometimento dos nervos e precisam ser avaliados rapidamente. “Mancha que não coça, não dói e apresenta perda de sensibilidade não é normal e deve ser investigada”, reforça Ana Paula.
Transmissão, mitos e preconceito
A hanseníase é transmitida pela via respiratória, por meio do contato próximo e prolongado com uma pessoa doente que ainda não iniciou o tratamento. Diferente do senso comum, não é uma doença de fácil contágio. “O mito de que se transmite em contatos rápidos do dia a dia gera medo, estigma e atraso no diagnóstico”, afirma a médica.
Outro fator que dificulta o controle da doença é o longo período de incubação, que pode variar de dois a até 20 anos após o contato com o bacilo, exigindo vigilância contínua dos serviços de saúde.
Tratamento gratuito e cura garantida
O tratamento da hanseníase é feito com medicamentos gratuitos e eficazes, disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após o início da terapia, a pessoa deixa de transmitir a doença. “Reforçar que a hanseníase tem cura é essencial para combater o preconceito. O tratamento precoce evita sequelas e garante qualidade de vida”, pontua a especialista.
Familiares e contatos próximos de pessoas diagnosticadas também devem ser avaliados, mesmo sem sintomas, como medida fundamental para identificar novos casos precocemente e reduzir a cadeia de transmissão.
Ao final, a dermatologista deixa um alerta direto à população. “Ao perceber manchas na pele, dormência, dor nos membros ou perda de sensibilidade, procure a unidade de saúde mais próxima. O cuidado no tempo certo faz toda a diferença”, conclui.










































