Os atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) registraram um crescimento superior a 100% nos últimos dez anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, o volume de consultas e procedimentos saltou de 725, em 2015, para 2,5 mil em 2024, atingindo o pico da série histórica e revelando uma mudança no comportamento do homem brasileiro.
Especialistas afirmam que o aumento reflete uma maior conscientização e a quebra de tabus, mas também o crescimento de fatores de risco ambientais. Diferente do que se acredita, a genética não é a causa principal na maioria dos casos. O adiamento da paternidade, a exposição a poluentes e o uso indiscriminado de testosterona e anabolizantes têm prejudicado severamente a qualidade do sêmen.
A infertilidade masculina costuma ser silenciosa, sem afetar o desempenho sexual, o que faz com que muitos homens descubram o problema apenas após um ano de tentativas sem sucesso para engravidar a parceira. Atualmente, o fator masculino está presente em cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção dos casais, seja isoladamente ou associado a fatores femininos.
Entre as causas tratáveis, a varicocele — dilatação das veias dos testículos — aparece no topo da lista, atingindo até 40% dos pacientes. Mudanças de hábito, como o combate à obesidade e ao sedentarismo, também são fundamentais, pois o excesso de gordura corporal gera inflamações e altera a temperatura escrotal, prejudicando a produção de espermatozoides.
O diagnóstico inicial é realizado por meio do espermograma, exame que analisa a quantidade e a mobilidade das células reprodutivas. Médicos reforçam que a investigação deve começar simultaneamente com a da mulher para evitar atrasos no tratamento, que pode variar desde correções cirúrgicas e ajustes hormonais até técnicas de reprodução assistida.









































