A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu como prioridade para 2026 a redução das filas de análises processuais e o fortalecimento de inovações nacionais em saúde. A estratégia inclui medidas temporárias de gestão, criação de comitês específicos e o ingresso de 100 novos especialistas concursados, o maior reforço de pessoal da agência na última década.
Em entrevista exclusiva, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, destacou que o objetivo é dar mais celeridade aos processos sem comprometer o rigor técnico. “As regras não estão sendo afrouxadas. O que estamos fazendo é otimizar gestão de pessoas e de processos”, afirmou.
Safatle assumiu a presidência da agência após aprovação do Senado, em agosto de 2025, em um momento de rápida evolução científica no setor da saúde. Segundo ele, a Anvisa precisa acompanhar o ritmo das descobertas, especialmente quando envolvem pesquisa e desenvolvimento realizados no próprio país.
Inovação feita no Brasil
Um dos exemplos citados é a polilaminina, medicamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros para tratamento de lesão medular. A Anvisa autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos, voltada à avaliação da segurança do produto. Cinco pacientes participam dessa etapa inicial.
“Estamos falando de inovação nacional, cientista nacional, desenvolvimento feito no país. Isso é muito importante para atender demandas do Sistema Único de Saúde”, destacou Safatle. Segundo ele, caso a primeira fase seja concluída com sucesso, o medicamento seguirá para as fases 2 e 3, quando eficácia e segurança serão avaliadas de forma mais ampla.
Comitê de Inovação
Para acompanhar projetos estratégicos, a agência criou o Comitê de Inovação, que reúne a alta gestão da Anvisa e acompanha tecnologias consideradas prioritárias para a saúde pública. Atualmente, quatro iniciativas estão sob monitoramento: a polilaminina, a vacina contra chikungunya, o método Wolbachia para combate à dengue e endopróteses.
A proposta do comitê é dar suporte técnico às áreas responsáveis pelas análises e acompanhar de perto projetos com potencial impacto nacional. “São casos de inovação radical desenvolvidos no país, com grande repercussão para a saúde pública”, explicou o diretor-presidente.
Redução das filas
Em dezembro, a Anvisa aprovou uma resolução com medidas excepcionais e temporárias para acelerar a análise de medicamentos, vacinas, dispositivos médicos e processos de inspeção. A meta é reduzir as filas pela metade em seis meses e normalizar os prazos em até um ano.
Entre as ações estão forças-tarefa internas, análises conjuntas de produtos semelhantes, aproveitamento de dados de estudos clínicos internacionais e acompanhamento diário dos indicadores por meio de uma sala de situação. Um comitê de monitoramento também foi criado para garantir transparência junto à sociedade e ao setor regulado.
O esforço será reforçado pela chegada de 100 novos especialistas, que concluíram o curso de formação e devem ser nomeados entre janeiro e fevereiro. “Eles entram prioritariamente para ajudar na redução das filas”, afirmou Safatle.
Reconhecimento internacional
Além da agenda interna, a Anvisa passa por um processo de qualificação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de se consolidar como autoridade sanitária de referência para as Américas e para o mundo. Segundo Safatle, o reconhecimento internacional fortalece o Brasil e amplia a confiança global no sistema regulatório nacional.
“Esse rigor científico e a segurança sanitária são o que garantem a credibilidade da Anvisa. A celeridade precisa caminhar junto com a qualidade”, concluiu.









































