Um estudo científico feito em ratos, publicado nessa terça-feira (11/02/2020) na revista Cell Reports, demonstrou que o crescimento do câncer pode ser mais lento com a ingestão de alimentos prebióticos, como aspargos e cebola.
Nos testes, os cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute alimentaram os camundongos com água com infusão de dois prebióticos, mucina ou inulina, e estudaram como os roedores combatiam o melanoma, uma das formas agressivas da doença devido à capacidade de se espalhar para muitos órgãos.
As pesquisas mostraram, pela primeira vez, como os prebióticos povoavam o intestino, o que fortalecia o sistema imunológico. Tendo mais células imunes atacando o câncer, a progressão da doença foi controlada.
O crescimento do melanoma foi retardado nos camundongos que receberam mucina ou inulina, enquanto o crescimento de uma linha celular de câncer de cólon foi retardado apenas nos camundongos que receberam inulina.
Camundongos com melanoma que receberam um ou outro prebiótico mostraram um aumento na proporção de células do sistema imunológico que se infiltraram no tumor – indicando que os prebióticos aumentaram a capacidade do sistema imunológico de atacar o câncer.
Tratamentos de ponta
Com a publicação, os pesquisadores acreditam que os prebióticos têm o potencial de fazer “tratamentos de câncer de ponta” assim que os estudos puderem ser realizados com seres humanos.
Embora o estudo determine a atuação dos prebióticos no crescimento de tumores, os cientistas ainda não identificaram o mecanismo pelo qual eles fazem isso, por isso devem avançar nas pesquisas.
Ze’ev Ronai, que é professor do Programa de Iniciação e Manutenção de Tumores de Sanford Burnham Prebys e autor sênior do estudo, alerta que essas descobertas exigem muito mais estudo antes de considerar qualquer avaliação em pessoas com câncer.
Fonte natural de saúde
De acordo com os especialistas, os prebióticos são um grupo de compostos que ajudam a aumentar a variedade de bactérias intestinais. Ao contrário dos probióticos, que são cepas bacterianas vivas, os prebióticos são “alimento” para as bactérias e estimulam o crescimento de diversas populações benéficas.
Segundo os pesquisadores, a composição dessa microbiota intestinal é parcialmente determinada pelos genes, mas também pode ser influenciada por fatores de estilo de vida, como dieta, por isso pode ser modificada ao longo do tempo com uma mudança na alimentação.
Além de aspargos e cebolas, os prebióticos também são encontrados no alho, alho-poró, chicória, alcachofra e banana.