O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta quarta-feira (4), que viajará à Espanha no próximo mês para uma agenda focada na diplomacia e na defesa das instituições democráticas. Em conversa telefônica com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, Lula aceitou o convite para uma visita oficial a Barcelona no dia 17 de abril. O diálogo ocorre em um momento de alta tensão global, com os dois líderes manifestando forte oposição ao conflito armado que envolve Estados Unidos, Israel e Irã.
Além da pauta bilateral, Lula participará, no dia 18 de abril, da quarta reunião de alto nível do grupo “Em Defesa da Democracia”. A iniciativa internacional, que inclui também os governos de Chile, Colômbia e Uruguai, busca criar mecanismos de cooperação contra o extremismo e a desinformação. A escolha da Espanha como sede para o encontro de 2026 reforça o papel estratégico de Madri e Brasília como interlocutores entre a América Latina e a Europa.
Críticas à guerra e ao “bilateralismo” militar
Lula e Sánchez dedicaram boa parte da conversa à situação no Oriente Médio. Ambos defenderam um cessar-fogo imediato e o início de negociações sob o amparo do direito internacional. A posição de Sánchez tem sido especialmente firme: o premiê espanhol proibiu o uso de bases militares em solo espanhol (como as de Rota e Morón) para operações americanas contra o Irã, o que provocou ameaças de retaliações comerciais por parte do presidente dos EUA, Donald Trump.
O presidente brasileiro reiterou seu compromisso com o multilateralismo, criticando ações unilaterais que ignoram as instâncias de paz da ONU. A convergência entre Brasil e Espanha é vista como um contraponto à política de “força máxima” aplicada por Washington. Sánchez, inclusive, reafirmou que não será “cúmplice de algo prejudicial ao mundo” para evitar represálias econômicas, posição que Lula elogiou como uma defesa da soberania e da paz mundial.
A viagem de Lula à Espanha também deve servir para consolidar os termos do acordo Mercosul-União Europeia, ratificado pelo Senado brasileiro no mesmo dia. Com a aplicação provisória do tratado prevista para maio, os dois líderes pretendem alinhar as regras de salvaguardas para proteger indústrias sensíveis de ambos os lados, garantindo que a abertura comercial seja sustentável e equilibrada.









































