Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o enfrentamento à violência de gênero voltou ao centro das discussões em Rondônia. Especialistas, vítimas e parlamentares destacam a necessidade de ampliar políticas públicas, fortalecer a rede de proteção e ampliar a conscientização da sociedade.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 1,5 mil mulheres são assassinadas todos os anos no Brasil por razões relacionadas ao gênero. Em levantamento divulgado nesta semana, Rondônia aparece entre os estados com maiores índices de feminicídio no país, ocupando a segunda posição no ranking nacional.
Origem e significado do Dia da Mulher
O Dia Internacional da Mulher tem origem nos movimentos operários do início do século XX, quando trabalhadoras passaram a reivindicar melhores condições de trabalho e direitos políticos.
Um marco histórico ocorreu em 1917, quando mulheres protestaram contra a fome e a Primeira Guerra Mundial em Petrogrado, na Rússia. A mobilização contribuiu para a Revolução Russa e resultou posteriormente na concessão do direito ao voto às mulheres no país.
A data foi reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher.
Caso recente reacende debate em Rondônia
O debate sobre violência contra a mulher ganhou ainda mais repercussão no estado após o assassinato da professora de Direito Penal e escrivã da Polícia Civil Juliana Santiago, de 41 anos.
Ela foi morta a facadas por um aluno dentro da instituição de ensino onde trabalhava, em Porto Velho. O caso gerou forte comoção na comunidade acadêmica e reacendeu discussões sobre segurança e respeito às mulheres em diferentes espaços da sociedade.
Sinais de alerta antes da violência
A delegada Leisaloma Carvalho, especialista em investigações de feminicídio em Rondônia, alerta que a maioria dos crimes é precedida por sinais claros de violência. Segundo ela, comportamentos como ciúme excessivo, controle da vida da mulher, isolamento social, ameaças e agressões psicológicas costumam marcar o início do ciclo de violência.
A delegada também ressalta que muitos feminicídios ocorrem no momento em que a mulher decide encerrar o relacionamento, quando o agressor não aceita perder o controle sobre a vítima.
Ela reforça que mulheres em situação de violência devem procurar ajuda junto às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público, Defensoria Pública, além de canais nacionais como o Ligue 180.
Relato de superação
Uma empresária de 34 anos, vítima de violência doméstica, relatou que demorou a reconhecer que vivia um relacionamento abusivo.
Segundo ela, o processo de reconstrução pessoal ocorreu após romper o ciclo de violência e investir na própria independência financeira. Hoje, atua no ramo da beleza e afirma que o trabalho foi fundamental para recuperar a autoestima e reconstruir a própria vida.
Atuação da Assembleia Legislativa
No campo institucional, a Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) tem ampliado ações voltadas à proteção das mulheres. Entre as iniciativas estão a atuação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, presidida pela deputada Gislaine Lebrinha, e da Procuradoria Especial da Mulher, coordenada pela deputada Ieda Chaves.
As parlamentares destacam que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ações integradas envolvendo prevenção, proteção e punição, além de investimentos na rede de atendimento e mudanças culturais que combatam a desigualdade de gênero.









































