A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta segunda-feira (5) que, caso os Estados Unidos ataquem outro país da Otan, seria o “fim de tudo”. A declaração ocorre após o ataque estadunidense à Venezuela, no último sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo.
A preocupação se concentra na Groenlândia, região semiautônoma da Dinamarca, que também integra a Otan. Donald Trump, que criticou a capacidade dinamarquesa de garantir a segurança do território, não descartou a possibilidade de uma intervenção armada na maior ilha do mundo, embora tenha afirmado que não é prioridade imediata e que tratará do assunto em cerca de dois meses.
“Falemos da Groenlândia dentro de 20 dias”, disse Trump a jornalistas. Ele também nomeou recentemente Jeff Landry como representante especial para a Groenlândia, reforçando o interesse americano pelo território.
A primeira-ministra Frederiksen destacou que os EUA não têm direito de anexar nenhuma das três nações do Reino da Dinamarca e que a Groenlândia já manifestou repetidamente que não quer se tornar parte dos Estados Unidos.
O governo groenlandês também reagiu. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen classificou a pretensão americana como uma “fantasia” e defendeu que o diálogo sobre o futuro da ilha seja conduzido “pelos canais adequados e de acordo com o direito internacional”.
A União Europeia reiterou apoio à Dinamarca, enfatizando que a Groenlândia não é “um pedaço de terra à venda”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que o futuro do território deve ser decidido pela Groenlândia e pelo Reino da Dinamarca, sem interferência externa.
O episódio aumenta a tensão diplomática entre os EUA e aliados da Otan, após a ação militar em Caracas, e reforça a preocupação com a estabilidade do Ártico e do Atlântico Norte diante de declarações de líderes americanos.










































