A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou uma investigação prioritária para apurar a criação e compartilhamento de imagens falsas de nudez, geradas por inteligência artificial, envolvendo alunas de duas escolas particulares em Juína (MT), cidade localizada na divisa com Rondônia. O caso, que já soma denúncias de mais de 20 famílias, utiliza a tecnologia conhecida como Deepfake para sobrepor o rosto de adolescentes, entre 15 e 17 anos, em corpos nus, criando conteúdos falsos extremamente realistas.
O delegado responsável pelo caso, Marco Remuzzi, informou que a resposta policial foi imediata devido à gravidade da situação. Até o momento, quatro aparelhos celulares foram apreendidos com adolescentes que estudam nas mesmas instituições que as vítimas e são apontados como possíveis autores ou disseminadores do conteúdo. Os dispositivos foram encaminhados para extração e análise de dados, visando identificar a origem das manipulações e a extensão do compartilhamento das imagens.
A tecnologia de Deepfake, embora possua aplicações legítimas, tem sido desviada para a prática de pornografia não consensual, causando danos psicológicos e sociais irreparáveis às vítimas. No contexto escolar, a facilidade de acesso a ferramentas de IA generativa tem acendido um alerta para autoridades e educadores sobre o uso malicioso dessas plataformas. A investigação em Juína busca não apenas a responsabilização criminal, mas também frear a propagação dos arquivos nos grupos de mensagens da região.
O caso é tratado como prioridade máxima pela Delegacia de Juína, dada a vulnerabilidade das vítimas e o impacto na comunidade escolar. A Polícia Civil reforça que a criação e a divulgação de cenas de nudez ou pornografia envolvendo crianças e adolescentes é crime hediondo, mesmo quando as imagens são geradas artificialmente. O resultado da perícia nos celulares apreendidos será fundamental para determinar as medidas judiciais e socioeducativas que serão aplicadas aos envolvidos.






































