As cenas de violência extrema evidenciam a brutalidade das acusadas, Nagyla D. e Priscila R., cujas idades não foram divulgadas. Contudo, investigações da Polícia Federal (PF) as apontam como as líderes de um crime que chocou a fronteira do Brasil com Bolívia. Em uma das gravações, a vítima, de nacionalidade boliviana, é forçada a se ajoelhar.
Posicionada de costas para as agressoras e de frente para uma cama, ela apanha repetidamente de uma das mulheres. Um remo de canoa é usado na tortura. Enquanto uma das acusadas, identificada pela própria vítima como “Priscila”, filma a cena, as sessões de espancamento e tortura psicológica se iniciam: “Você vai apanhar para nunca mais “foder” com o homem dos outros. Vai, mana! Ajoelha no chão!”, exige uma das torturadoras.
Aterrorizada, a vítima tenta recuar, mas é imediatamente forçada pelo comando imperativo em espanhol: “¡Arrodíllate!”. Ajoelhada, a boliviana continua sendo agredida. Ela se contorce de dor, grita e implora por perdão, mas em vão: “Ai, ai! Basta! Basta! Priscila! Basta, por favor!”
Confusa e visivelmente apavorada, a boliviana tenta recuar. É, então, advertida e recebe, em espanhol, a ordem imperativa de se ajoelhar: “¡Arrodíllate!”
Já de joelhos, a mulher continua a ser brutalmente agredida, contorcendo-se de dor. Grita desesperadamente, implorando por perdão, mas em vão: “Ai, ai! Basta! Basta! Priscila! Basta por favor!”.
Segundo o delegado Francisco Ney, da Polícia Federal de Guajará-Mirim, responsável pela apuração do crime, a motivação envolve “ciúmes”, já que, conforme a própria suspeita, a boliviana estaria mantendo um relacionamento com o marido dela. A investigação revelou que a vítima foi atraída de Guayaramerín até Guajará-Mirim (RO), com a falsa promessa de que, ao chegar ao Brasil, receberia um presente para o filho que ainda é menor de idade. No entanto, tudo não passava de uma armadilha arquitetada pelas acusadas. Conforme detalhou o delegado, ao desembarcar no Porto Oficial da cidade de Guajará-Mirim, “as investigadas levaram a vítima a um local ermo, um sítio situado na zona rural do município. Lá, praticaram diversos atos de tortura com o uso de vários objetos.”
As investigações revelaram que o crime contra a boliviana, inicialmente classificado como tortura, cárcere privado e sequestro, adquiriu uma dimensão ainda mais cruel: ela foi submetida a – agressão contínua e brutal por pelo menos três dias, após as sessões, a vítima teria sido liberada e enviada novamente ao país de origem.
As imagens gravadas pelas próprias suspeitas revelam que, na cama, havia objetos de tortura, inclusive o que parecer ser uma lanterna de choque elétrico. Além de espancá-la, as agressoras cortaram seu cabelo, rasparam sua cabeça e a torturaram na região íntima. A brutalidade desses atos é corroborada por vídeos, incluindo alguns gerados por inteligência artificial com o intuito de zombar da vítima e da tortura sofrida. Além disso, os vídeos gravados não só auxiliaram na investigação, como serviram de prova contra as acusadas já presas no dia 18 de janeiro.
As duas, segundo a investigação ainda tentaram se esconder fugindo para Guayaramérin, justamente onde a vítima moravam com a família. Imagens obtidas com exclusividade pelo jornalismo do News Rondônia, mostram homens da Polícia Federal a procura das investigadas na operação intitulada de “Bisturi”, justamente um instrumento de trabalho das suspeitas que seriam médicas.
A Polícia Federal (PF) aponta as mulheres como as supostas líderes do crime e suspeitas de tortura, sequestro e cárcere privado, todos crimes tipificados no Código Penal Brasileiro. Além da tipificação penal, a repercussão do caso — por se tratar de um crime contra uma estrangeira em solo brasileiro — pode levar ao aumento da pena, conforme declarado pelo delegado da PF. “Esse cenário, somado à existência de um acordo internacional de prevenção à tortura do qual o Brasil é signatário, atrai a competência da Polícia Federal, de acordo com o artigo 1º, inciso III, da Lei nº 10.446/2002.”









































