O zelador Osvaldo C., preso em flagrante por suspeita de agredir violentamente uma moradora e atear fogo em um prédio no bairro Rio Vermelho, em Salvador, recebeu alta médica nesta quinta-feira (28) do Hospital Geral do Estado (HGE). Ele havia se ferido ao tentar escapar após o ataque.
Com a liberação hospitalar, o homem será encaminhado para o sistema prisional e deve passar por audiência de custódia na sexta-feira (29). Ele responde por tentativa de feminicídio e dano qualificado com uso de substância inflamável.
A vítima, a professora Núbia P., de 41 anos, segue internada em estado grave, em coma induzido. Ela sofreu múltiplas fraturas, principalmente no rosto.
Como o crime aconteceu
Parte da ação foi registrada por câmeras de segurança do edifício:
-
5h25: o zelador chega ao prédio cambaleando;
-
5h29 a 6h21: deixa o condomínio;
-
6h21: retorna de moto com um galão de gasolina;
-
6h34: entra no elevador carregando o galão;
-
6h35: imagens mostram fumaça após possível explosão — momento em que teria espalhado o combustível em frente a apartamentos e iniciado o fogo;
-
6h51: tenta fugir pulando do playground para a garagem, mas se fere e é detido.
Ainda não está claro em qual momento o apartamento da vítima foi invadido, já que não há câmeras nos corredores internos.
Possível motivação
De acordo com moradores, uma conversa em grupo de mensagens sobre a possível demissão do funcionário pode ter sido a motivação para o ataque. O zelador trabalhava há mais de 10 anos no local e morava com a família em um anexo do prédio.
Alguns moradores relataram comportamento diferenciado do funcionário, com atrasos na coleta de lixo e na entrega de mercadorias.
Denúncia de assédio
Em janeiro de 2024, a professora Núbia já havia registrado uma queixa de assédio contra o zelador no livro de ocorrências do condomínio. Na ocasião, relatou que ele a convidou para “tomar um vinho” durante a noite, por mensagens.
O caso foi levado ao síndico, mas, segundo a vítima, bastaria uma advertência formal — ela não pediu a demissão do funcionário. Amigas afirmaram, contudo, que Núbia chegou a discutir o episódio com a administração do prédio, sem que medidas mais severas fossem tomadas.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil da Bahia.