O maquiador Erick N., que trabalhou com Hytalo Santos em 2020, afirmou em entrevista ao programa Profissão Repórter que o influenciador dopou uma adolescente sem o conhecimento dela. Segundo Erick, o youtuber teria usado o medicamento Dramin para fazer a jovem dormir e, assim, deixá-la sozinha em uma casa em São Paulo.
De acordo com o relato, Hytalo orientava a colocar o remédio no suco da adolescente para que ela “ficasse sonolenta” enquanto ele e outros compromissos seguiam sem a presença dela.
Conteúdos com menores de idade
A adolescente em questão aparece com frequência em vídeos de Hytalo desde criança, principalmente em gravações de danças e situações que, segundo Erick, tinham caráter de sexualização.
O maquiador destacou ainda que a idade dela era constantemente omitida ou alterada. “Uma hora falavam que tinha 15, em outra que tinha 16. Era claramente uma criança. Ele já produzia conteúdos de dança em que ela aparecia com roupas curtas, sob a justificativa de que ‘ela gostava’”, disse.
O caso foi mencionado anteriormente em vídeo do influenciador Felca, que denunciou a presença de menores em conteúdos publicados por Hytalo.
Situação legal
A jovem começou a trabalhar com o youtuber aos 12 anos e foi emancipada aos 16, o que legalmente permite que menores nessa faixa etária assinem contratos e pratiquem atos da vida civil. Apesar disso, integrantes do Conselho Tutelar relataram que apenas a mãe autorizava sua participação nos vídeos, enquanto o pai e a família paterna se opunham.
A defesa de Hytalo Santos informou ao programa que desconhece as acusações e preferiu não se manifestar.
Investigações em andamento
Grande parte dos conteúdos de Hytalo no YouTube mostrava adolescentes, grupo que ele chamava de “Turma do Hytalo”. Os vídeos envolviam temas como namoros, “traições”, crushes e cenas de beijo, muitas vezes com conotação sexual.
Atualmente, Hytalo e o marido, Euro, estão presos e respondem a processos por exploração sexual de menores, tráfico de pessoas e trabalho infantil em produções para redes sociais. O Profissão Repórter, exibido nesta terça-feira (26), destacou o caso e apontou falhas na proteção de crianças e adolescentes no Brasil.