A obstetra A.B.H. teve o registro provisoriamente suspenso pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CRMRJ) após denúncias de violência obstétrica em partos sob sua responsabilidade. Em um dos casos mais graves, a paciente L.B.K. sofreu lesão vesical durante cesárea de emergência, enquanto o útero permaneceu intacto.
O erro só foi identificado quando a equipe de plantão foi acionada para substituir A.B.H. na cirurgia. A família de L.B.K. contratou o obstetra I.C.J. para periciar o procedimento. Em seu laudo, com base no prontuário e nas imagens do vídeo do parto, o perito afirma que “a médica acreditou ter chegado ao útero, ao ponto de introduzir a mão na incisão para retirar o feto” e que “o bebê saiu através da bexiga — algo inédito na prática obstétrica”.
A.B.H. nega imperícia. Em entrevista, alegou que “transpassei a bexiga intencionalmente para agilizar a retirada do feto em situação de emergência fetal”. A paciente L.B.K. relatou à reportagem que a equipe médica chegou a “mexer no celular durante o procedimento” e que o trabalho de parto, de doze horas, incluiu sete tentativas de vácuo-extrator — acima das três permitidas pelas diretrizes técnicas — antes de optar pela cesárea, quando o bem‑estar fetal já estava comprometido.
Após complicações no nascimento, o bebê foi reanimado, mas permanece sob observação por possível anóxia. A interdição de seis meses imposta a A.B.H. pelo CRMRJ foi renovada por igual período, enquanto prossegue o processo para eventual cassação de seu registro. A defesa da médica alega ausência de negligência, e o CRMRJ afirma que o parto normal continua sendo a via preferencial na maioria dos casos.







































