A capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, tornou-se o centro das atenções ambientais globais nesta segunda-feira (23) com o início da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). A cerimônia de abertura foi marcada por um forte apelo à união entre as nações e pelo protagonismo de comunidades tradicionais. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou em seu discurso de boas-vindas que a cooperação internacional é o único caminho para gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural.
O evento ocorre em um cenário de alerta para a fauna global. A secretária-executiva da Convenção (CMS), Amy Fraenkel, apresentou dados preocupantes: 49% das espécies protegidas pelo tratado internacional apresentam populações em declínio. Por outro lado, o sucesso na recuperação da tartaruga-verde foi citado como um exemplo positivo de que sistemas de áreas protegidas bem gerenciados podem reverter processos de extinção e garantir a sobrevivência de espécies que atravessam fronteiras.
Ancestralidade e Ciência no Pantanal
A diversidade cultural foi um dos pilares da manhã, com a apresentação da sagrada Dança da Ema pelo povo Terena e discursos de representantes quilombolas, que reafirmaram o papel dos povos tradicionais como os principais guardiões do bioma Pantanal. A bióloga Tatiana Neves, do Projeto Albatroz, emocionou o auditório ao traçar um paralelo entre a jornada das aves que cruzam oceanos e a necessidade de conectar conhecimentos científicos e tradicionais para a vida que não conhece fronteiras.
Após a cerimônia, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, foi eleito presidente da COP15 por unanimidade. Com a aprovação de mais de 100 itens de debate, a conferência segue até o dia 29 buscando fortalecer as estratégias de conservação de animais silvestres em escala global, integrando a voz das comunidades locais às decisões de alto nível da ONU.









































