Pesquisadores e ativistas de direitos humanos têm monitorado com preocupação o crescimento da chamada “machosfera”, um ecossistema digital composto por fóruns, canais de vídeo e grupos de mensagens que disseminam discursos misóginos. O fenômeno, que utiliza uma linguagem codificada própria, é apontado por especialistas como um catalisador para a violência real, servindo de base ideológica para crimes de agressão e estupro. A estrutura desses grupos baseia-se na defesa de uma hierarquia de gênero e na oposição direta aos direitos conquistados pelas mulheres nas últimas décadas.
O vocabulário utilizado nessas comunidades frequentemente recorre a metáforas da cultura pop para validar visões de mundo extremistas. O termo “redpill”, por exemplo, é usado para descrever homens que acreditam ter “despertado” para uma realidade onde seriam manipulados pelo gênero feminino. Outros conceitos, como “incel” (celibatários involuntários) e “MGTOW” (homens que seguem seu próprio caminho), pregam desde o ressentimento social até o afastamento total de relacionamentos, sob a justificativa de que as leis e a sociedade moderna seriam injustas com os homens.
A militante e blogueira Lola Aronovich, uma das principais vozes no combate a esses ataques no Brasil, destaca que o perfil dos agressores costuma ser homogêneo, reunindo um “combo” de preconceitos que inclui racismo e homofobia. A atuação desses grupos motivou a criação da Lei nº 13.642/2018, que conferiu à Polícia Federal a atribuição de investigar conteúdos misóginos na internet. Segundo especialistas, a estratégia desses movimentos baseia-se em criar uma falsa equivalência entre a luta por igualdade (feminismo) e o ódio deliberado (misoginia).
Além dos nomes de grupos, a machosfera utiliza arquétipos para classificar indivíduos, como “Alfa” (o dominante), “Beta” (o submisso) e “Chad” (o ideal genético). Termos mais agressivos, como “femoids”, são empregados para desumanizar as mulheres, tratando-as como seres inferiores. Para os estudiosos do tema, a compreensão desses códigos é fundamental para que as autoridades e a sociedade civil possam identificar precocemente discursos de ódio e prevenir o escalonamento para atos de violência física e crimes de ódio.







































