A inteligência artificial (IA) vive um momento de forte expectativa, mas os resultados práticos no setor produtivo ainda são limitados. Durante um painel que antecipou as novidades da Hannover Messe, na Alemanha, o CEO da Bosch Connected Industry, Norbert Jung, revelou um dado impactante: 95% dos projetos de IA atualmente não entregam valor econômico real. Segundo o executivo, o cenário atual é de um “hype” onde a maioria das organizações permanece em fase piloto, enfrentando dificuldades para transformar o excesso de dados em lucro ou eficiência operacional.
Essa análise coincide com um estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que aponta um retorno sobre investimento (ROI) nulo para 95% das empresas, apesar de aportes bilionários em IA generativa. Para Jung, o caminho para reverter esse quadro não está apenas na tecnologia isolada, mas na “cointeligência”, que une a capacidade das máquinas ao conhecimento humano no ambiente de manufatura. O objetivo é industrializar a IA para que ela deixe de ser uma ferramenta de tela e passe a atuar fisicamente nos processos de produção.
O Brasil como protagonista na Hannover Messe
A edição de 2026 da Hannover Messe, a maior feira de inovação industrial do mundo, terá o Brasil como país homenageado. O evento, que ocorre entre 20 e 24 de abril, contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz. Com uma delegação de 300 empresas e 140 expositores, o Brasil busca consolidar sua posição como fornecedor de soluções tecnológicas em áreas como digitalização, descarbonização e inteligência artificial aplicada.
Representantes da ApexBrasil destacam que o país possui talentos de classe mundial e instituições de pesquisa, como o Instituto Eldorado, que não ficam atrás dos principais polos globais. A expectativa é que a feira sirva de vitrine para o potencial brasileiro em exportar inteligência e serviços de alta tecnologia, reforçando a tendência de que profissionais brasileiros são cada vez mais requisitados por grandes companhias internacionais de tecnologia.
IA física: a evolução para além das telas
Enquanto a IA generativa busca seu espaço econômico, a chamada “IA física” começa a mostrar resultados mais tangíveis na robótica. A empresa Agile Robots apresentou sistemas de montagem controlados por inteligência artificial e visão computacional, capazes de detectar objetos e configurar linhas de produção com maior flexibilidade e rapidez. Para os especialistas, é essa integração entre o software inteligente e a máquina física que permitirá que a tecnologia finalmente saia da fase de testes e comece a gerar o valor econômico esperado pela indústria global.










































