Um levantamento inédito do Instituto Cidades Sustentáveis e da Ipsos-Ipec revela que 71% das mulheres brasileiras já foram vítimas de assédio moral ou sexual. Os dados, coletados em dez grandes capitais, mostram que as ruas e espaços públicos lideram as ocorrências, sendo citados por mais da metade das entrevistadas como os ambientes mais hostis.
O transporte público aparece logo em seguida no ranking de periculosidade, com 50% das menções, seguido pelo ambiente de trabalho. Especialistas alertam que esses números refletem uma barreira real à liberdade feminina, já que o medo de agressões molda rotinas e limita o direito de circulação plena pelas cidades.
Embora o índice geral tenha apresentado uma leve queda em comparação a registros de uma década atrás, o nível de violência permanece em patamares considerados críticos. A demanda social por punições mais severas é alta, mas autoridades do Ministério Público ressaltam que o aumento de penas, isoladamente, não tem sido suficiente para conter crimes como o feminicídio.
A solução apontada por gestores públicos passa pelo fortalecimento de uma rede de apoio robusta e pela promoção de políticas de segurança comunitária. Além do assédio, a pesquisa expôs a desigualdade doméstica, onde a percepção de divisão equilibrada das tarefas de casa é muito maior entre os homens do que entre as mulheres.









































