Chef Lindberg Júnior conta no IN FOCO Podcast sua trajetória da UNIR à gastronomia internacional e fala sobre experiências na Europa e projetos em Porto Velho.
No IN FOCO Podcast, apresentado por Marcelo Regis, o chef rondoniense Lindberg Júnior compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, desde os primeiros passos em Rondônia até a consolidação de sua carreira na gastronomia internacional.
Natural de Ouro Preto do Oeste, no interior de Rondônia, Lindberg passou parte da infância em Buritis antes de se mudar para Porto Velho, onde construiu grande parte de sua formação. Durante a entrevista, ele relembrou a família, a infância e os caminhos que o levaram a descobrir a paixão pela cozinha.
O chef contou que inicialmente ingressou no curso de Direito na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), mas, próximo da conclusão da graduação, decidiu iniciar também a faculdade de Gastronomia. A ideia inicial era apenas ter uma segunda formação antes de viajar para o exterior, mas acabou se tornando uma paixão.
Segundo ele, a gastronomia despertou interesse por unir criatividade e organização.
“Eu percebi que na cozinha eu conseguia usar tanto a criatividade quanto o lado mais sistemático das coisas. Foi aí que eu comecei a me apaixonar pela profissão”, relatou.
Influência da família e início na cozinha
Durante a conversa, Lindberg destacou a influência da avó, considerada por ele uma grande inspiração na cozinha.
De acordo com o chef, ela sempre foi uma excelente cozinheira, especialmente na preparação de doces. Até hoje, segundo ele, continua sendo uma referência quando surgem dúvidas sobre técnicas culinárias.
“Quando tenho alguma dúvida, às vezes ainda mando mensagem para minha avó perguntando sobre ponto de receita ou preparo”, contou.
Experiência na Europa
Após iniciar a carreira gastronômica, Lindberg decidiu buscar experiência internacional e seguiu para a Irlanda, onde viveu em cidades como Galway e Dublin.
A escolha pelo país, segundo ele, ocorreu pela facilidade de intercâmbio e também pela localização estratégica na Europa, que permite viajar com facilidade para outros destinos importantes da gastronomia mundial, como Itália, França e Espanha.
Durante o período na Irlanda, o chef trabalhou em diferentes cozinhas, desde restaurantes e pubs até grandes eventos gastronômicos.
Entre as experiências marcantes está a participação em um banquete com cerca de 300 convidados, realizado em um evento institucional que contou com a presença do presidente da Irlanda.
“Foi uma experiência muito marcante. Era uma operação enorme, com vários chefs, auxiliares e equipes trabalhando juntos para entregar um grande jantar”, explicou.
Aprendizado em cozinhas internacionais
Na Europa, Lindberg teve a oportunidade de trabalhar com chefs de diversas nacionalidades e absorver diferentes técnicas culinárias. Em um dos restaurantes onde atuou, ele trabalhou ao lado de um chef escocês que havia sido subchefe do famoso cozinheiro britânico Gordon Ramsay.
A convivência com profissionais de alto nível, segundo ele, foi fundamental para aprimorar técnicas e desenvolver disciplina dentro da cozinha profissional.
“Na cozinha profissional você aprende que organização é tudo. Muitas vezes é preciso passar mais tempo planejando e organizando do que executando”, afirmou.
Desafios da profissão
Durante o podcast, Lindberg também comentou sobre os desafios da carreira. Segundo ele, existe uma ideia romantizada da profissão de chef de cozinha, mas a realidade envolve muita pressão, ritmo intenso e necessidade constante de controle emocional.
“O glamour existe, mas a maior parte do tempo é muito trabalho e muita responsabilidade”, explicou.
Para ele, o maior desgaste emocional da profissão está na necessidade de liderar equipes e manter o funcionamento da cozinha mesmo em momentos de pressão.
Projetos gastronômicos em Porto Velho
De volta a Porto Velho, o chef hoje atua em diferentes projetos gastronômicos na capital. Entre eles estão o Strike 364, onde participa da operação da cozinha, o projeto Marmitas do Chef, voltado à alimentação com padrão gastronômico diferenciado, e a consultoria no restaurante Del Brasa.
Segundo Lindberg, a gastronomia em Rondônia está em fase de profissionalização, com restaurantes cada vez mais preocupados com padronização, qualidade dos insumos e experiência do cliente.
“O importante é que a pessoa vá ao restaurante sabendo que sempre encontrará qualidade. Não pode depender de ter sido um dia bom ou ruim”, afirmou.
Valorização dos ingredientes amazônicos
Outro ponto destacado na entrevista foi o uso de ingredientes regionais na gastronomia contemporânea. Lindberg explicou que gosta de incorporar elementos amazônicos em pratos inspirados na cozinha internacional.
Entre os insumos que ele mais utiliza estão tucupi, cupuaçu, peixes amazônicos e ingredientes regionais, criando combinações que valorizam a identidade culinária da região.
Conselhos para quem quer trabalhar com gastronomia
Ao responder perguntas do público durante o podcast, o chef deixou um conselho para quem deseja seguir carreira na área: estudar o mercado e entender o ambiente onde pretende atuar.
Segundo ele, conhecer o público, os ingredientes disponíveis e a realidade do local onde se trabalha é essencial para o sucesso na gastronomia.
“O principal é estudar o mercado onde você está inserido e entender o que funciona naquele ambiente”, destacou.
Ao final da entrevista, Lindberg reforçou que continua investindo em novos projetos e pretende seguir desenvolvendo a gastronomia local, levando técnicas internacionais e valorizando ingredientes da região amazônica.








































