A solidariedade tem sido o combustível para as frentes de auxílio em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, que enfrenta uma das piores crises climáticas de sua história recente. Um grupo de voluntários de Piracicaba (SP) percorreu mais de 500 quilômetros para reforçar as equipes de ajuda humanitária. A equipe, liderada pelo bombeiro civil Rodrigo Bazaglia, possui experiência em cenários de desastre, tendo atuado anteriormente nas inundações do Rio Grande do Sul em 2024. O foco atual é o bairro Parque Jardim Burnier, o mais atingido, onde 21 das 62 mortes confirmadas no município foram registradas.
Além dos grupos vindos de outros estados, a própria comunidade local se organiza. Estudantes de medicina do Centro Universitário Antônio Carlos (Unipac) iniciaram uma mobilização em igrejas para arrecadar alimentos, roupas e kits de higiene. Só nesta semana, os universitários entregaram dezenas de cestas básicas no bairro Vitorino Braga. O trabalho dos voluntários se divide entre o apoio braçal na remoção de lama e entulhos, a produção de marmitas para desabrigados e o suporte emocional às famílias que aguardam notícias sobre desaparecidos.
Balanço da tragédia na Zona da Mata
O cenário em Juiz de Fora e cidades vizinhas é de extrema delicadeza. A atualização mais recente das autoridades aponta para um total de 68 óbitos na região, sendo 62 em Juiz de Fora e seis em Ubá. O número de pessoas que perderam suas casas ou precisaram abandoná-las temporariamente já ultrapassa a marca de 4.200, sobrecarregando os abrigos municipais instalados em escolas e ginásios.
| Localidade | Mortes Confirmadas | Desaparecidos |
| Juiz de Fora | 62 | 3 |
| Ubá | 6 | 2 |
| Total Região | 68 | 5 |
A chegada de voluntários capacitados, como bombeiros civis, é fundamental para o auxílio à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros Militar. Segundo Rodrigo Bazaglia, a situação em Minas Gerais é marcada pela dor das perdas definitivas causadas por deslizamentos, diferente das inundações graduais vistas no Sul. O trabalho de “cavar” e enfrentar a água exige preparo físico e psicológico, já que os riscos de novos desmoronamentos persistem devido à instabilidade do solo em diversas ladeiras da cidade.
Canais de ajuda e doação
Para quem deseja contribuir, as igrejas locais e os centros de coleta da prefeitura seguem recebendo itens de primeira necessidade. A prioridade atual é o fornecimento de água potável, materiais de limpeza (cloro e desinfetantes) e kits de higiene pessoal. O Ministério da Integração reforça que a organização dos donativos deve passar por triagem oficial para que os recursos cheguem de forma equânime às mais de quatro mil pessoas desalojadas na Zona da Mata.










































