O cenário em Juiz de Fora é de desolação e incerteza para as mais de 3 mil pessoas que ficaram desabrigadas após as fortes chuvas que atingem a região desde segunda-feira, 23. Em locais como o bairro Alto Grajaú, famílias inteiras ocupam salas de aula transformadas em dormitórios coletivos. A auxiliar de cozinha Daniele Saldanha, que vivia com seis crianças e um pai idoso, viu sua casa ser condenada pela Defesa Civil após um deslizamento de terra comprometer a estrutura do imóvel.
A rotina nos abrigos é marcada pela improvisação e pela transferência constante por questões de segurança. O posto de acolhimento que funcionava na Escola Municipal Murilo Mendes precisou ser movido para a Escola Estadual Padre Frederico Vienken, no bairro Bonfim. Para quem perdeu tudo, a falta de previsão sobre uma moradia fixa soma-se à precariedade financeira, com muitos dependendo exclusivamente de auxílios governamentais para sobreviver nos próximos meses.
Mobilização solidária e resgates
Diante da tragédia que já contabiliza 47 mortes confirmadas e 20 desaparecidos, a sociedade civil organizou uma rede de apoio. No bairro Industrial, próximo ao Rio Paraibuna, sindicatos e voluntários montaram pontos de distribuição de marmitas e itens de higiene. A proximidade com o rio, que transbordou durante a semana, exigiu o uso de botes para levar água e comida a moradores que permanecem em áreas ilhadas e cobertas por lama.
Necessidades imediatas e reconstrução
Além de alimentos, a demanda por materiais de limpeza é urgente. Moradores que tentam retornar às suas casas enfrentam o desafio de retirar o barro acumulado, solicitando doações de rodos, vassouras e água sanitária. A prefeitura municipal segue monitorando as encostas, já que o solo saturado ainda oferece risco de novos deslizamentos. A reconstrução das áreas atingidas deve levar meses, exigindo um planejamento de longo prazo para as famílias que não têm para onde voltar.
A assistência psicológica também tem sido uma prioridade nos abrigos, visando acolher crianças e idosos traumatizados pelo desastre. Enquanto as buscas por desaparecidos continuam, o foco das autoridades locais e estaduais volta-se para a manutenção da ordem nos alojamentos e para a triagem de novos donativos que chegam de diversas partes do estado, buscando minimizar o sofrimento dos que perderam o teto.




































