O Governo do Distrito Federal (GDF) encaminhou à Câmara Legislativa, na noite desta sexta-feira, 20, uma proposta para utilizar 12 imóveis públicos como reforço ao caixa do Banco de Brasília (BRB). A medida é parte central de um plano de contingência apresentado ao Banco Central para captar R$ 2,6 bilhões, valor necessário para provisionar perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito do Banco Master, investigado por fraudes.
A estratégia do Executivo local foca em usar esses bens, pertencentes a estatais como Terracap e Novacap, como garantia para empréstimos, especialmente junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o texto do projeto, os imóveis não serão vendidos de imediato; a função primordial é reduzir o risco para os credores e, consequentemente, diminuir os juros das operações de crédito que o BRB precisa realizar para se estabilizar.
O Banco Central estabeleceu um prazo rigoroso: o BRB deve recompor seu capital até a divulgação do balanço em 31 de março. Caso não atinja os níveis de solidez exigidos, a instituição poderá sofrer restrições operacionais severas, incluindo o impedimento de expandir seus negócios. O aporte é visto como essencial para manter a credibilidade do banco estatal no mercado financeiro nacional.
Paralelamente, as investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, avançam sobre o esquema de créditos sem lastro do Banco Master. O diretor-geral da PF estimou que as fraudes envolvendo títulos falsos podem ultrapassar R$ 12 bilhões. No BRB, a diretoria foi trocada após indícios de que o banco público teria injetado bilhões em ativos “podres” da instituição privada.
O projeto de lei deve ser debatido pelos distritais nas próximas semanas, servindo como um teste de apoio político para o governador Ibaneis Rocha. Enquanto isso, o BRB tenta recuperar liquidez vendendo outras carteiras de crédito menores e buscando garantias que não dependam diretamente do orçamento do DF, que atualmente enfrenta restrições de crédito junto à União devido à queda em sua nota de capacidade de pagamento.










































