A agenda contou com a presença do escritor e agente cultural Fernando Von Noble, da Presidente da Fundação Cultural de Ji-Paraná, Keyla Barbosa, e do Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ji-Paraná, Carlos Reis.
O objetivo foi verificar in loco as condições estruturais, operacionais e institucionais dos espaços culturais atualmente fechados, situação que tem gerado impacto direto no acesso da população à cultura e no funcionamento do Sistema Municipal de Cultura.
Foram vistoriados:
Teatro Municipal Dominguinhos
Biblioteca Municipal Dr. Cyro Escobar
Museu Municipal das Comunicações Marechal Cândido Rondon
Casa do Artesão de Ji-Paraná
Diagnóstico técnico
O relatório técnico inicial elaborado apontou problemas estruturais significativos em todos os equipamentos visitados.
No Teatro Municipal Dominguinhos foram identificados sistema elétrico inadequado ao funcionamento teatral, ausência de acessibilidade arquitetônica, necessidade de cortina antichamas específica, vazamentos no telhado, cadeiras deterioradas e insuficiência nos sistemas de iluminação e sonorização. Apesar disso, é considerado o equipamento com maior viabilidade de reabertura em curto prazo, pois já há recursos destinados para parte das adequações.
Na Biblioteca Municipal Dr. Cyro Escobar, a reforma iniciada — com custo estimado superior a R$ 374 mil — encontra-se inconclusa. Foram constatados rampas inadequadas, deterioração estrutural, comprometimento do forro e telhado e inadequação funcional do projeto arquitetônico. O acervo permanece armazenado, impedindo o acesso público.
O Museu das Comunicações Marechal Cândido Rondon apresenta situação considerada mais crítica, com ausência de forro, restos de obra misturados ao acervo histórico e material exposto sem proteção adequada, configurando risco à preservação do patrimônio cultural.
Já a Casa do Artesão apresenta infiltrações graves, comprometimento estrutural do teto e ambiente insalubre. Existe projeto de reforma elaborado, aguardando captação de recursos.
Declarações institucionais
Fernando Von Noble reforçou que a reativação exige planejamento, prioridade política e transparência administrativa. Segundo ele, “a revitalização dos equipamentos culturais não é apenas uma questão estrutural, mas institucional. Cultura é investimento estratégico em identidade, educação e desenvolvimento social e econômico”.
A vereadora Dra. Rosana Pereira Lima destacou que a manutenção simultânea dos equipamentos fechados cria um “vácuo cultural” no município e compromete o desenvolvimento artístico e educacional da cidade. Comprometeu-se a acompanhar pessoalmente os trâmites administrativos e buscar meios para acelerar os processos de liberação dos recursos.
O Presidente do Conselho Municipal de Cultura, Carlos Reis, ressaltou que equipamentos fechados deixam de fomentar a produção cultural local e reduzem oportunidades para artistas e fazedores de cultura. “Quando os espaços culturais não funcionam, a cidade perde em identidade, economia criativa e formação cultural”, observou.
A Presidente da Fundação Cultural, Keyla Barbosa, afirmou que os projetos técnicos das reformas já estão prontos e aguardam apenas a liberação de verbas e emendas parlamentares para início das obras.
Próximos encaminhamentos
O levantamento técnico servirá de base para proposições legislativas, possível realização de audiência pública cultural e construção de um Plano Emergencial de Reativação Cultural com cronograma público de execução.
A visita reforça a necessidade de articulação entre Executivo, Legislativo e Conselho Municipal de Cultura para que os equipamentos culturais voltem a cumprir sua função social e institucional no município de Ji-Paraná.







































