Já faz cinco anos que escrevo neste espaço sobre violência contra a mulher e nesse tempo acompanhei muitos casos de agressões físicas, psicológicas e feminicídios. Também observei algumas mudanças para melhor, com novas leis sendo implantadas que impactaram nossa vida e outras ações com o intuito de nos deixar mais protegidas pelo fato de sermos mulheres.
Mas também presenciei um aumento de casos assombrosos em Rondônia e no cenário nacional. Os motivos foram os mais irrelevantes possíveis, mas nenhum deles evitou agressões físicas e psicológicas e até mesmo impediu a morte delas pelos seus companheiros.
Casos nacionais impactantes como o do companheiro que agrediu a namorada com 60 socos dentro do elevador. O da mulher que terminou o relacionamento e por isso foi arrastada por mais de 1 km embaixo de um carro, conduzido pelo ex-companheiro. Ou o da esposa que pediu o divórcio e quando o marido não aceitou os filhos acabaram sendo assassinados por ele. Casos que não saem da minha cabeça.
Aqui em Rondônia outra tragédia recente destacou que todas nós corremos perigo em casa, no trabalho ou na rua. Um aluno tirou a vida da própria professora a facadas dentro da faculdade onde ela lecionava, seja lá por qual motivo.
A verdade é que não tem explicação, ou justificativa para tamanhos crimes que ocorrem perto da gente e respinga no nosso emocional, pois sabemos que a violência doméstica atravessa barreiras econômicas, educacionais e o medo de sermos as próximas convive conosco.
Vivemos em uma cultura que hierarquiza os gêneros e coloca o homem em uma posição de controle sobre o corpo e as nossas vidas. Eles quando sentem que estão perdendo poder ou controle, usam a força para reafirmar o que conhecem por masculinidade. A violência é a expressão mais evidente da tentativa de manter essa submissão. O machismo naturaliza abusos e comportamento violentos, perpétua ciclos de violência, inclusive em ambientes familiares.
Tudo isso já sabemos, o que ainda não entendemos é o porquê o nosso estado ainda não aderiu ao Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio, que tem o objetivo de integrar ações de prevenção, investigação e enfrentamento à violência letal contra as mulheres. Sendo que só ano passado foram registrados 25 casos de feminicídio por aqui. Fora os registros de casos de estupros e agressões de violência contra as mulheres.
Pode até ser que estejamos melhorando, mas o descaso pelas nossas vidas ainda é enorme por aqui. Precisamos o quanto antes da compreensão de que a violência contra as mulheres exige ação contínua e coletiva, com responsabilidade governamental para que ocorra uma mudança de comportamento.
É preciso responsabilizar os agressores, prevenir novos casos e ter a participação ativa dos homens para cessar esse problema. Não dá mais para conviver com medo, necessitamos de leis severas, investimentos e boa vontade das autoridades para mudar nossa realidade.
Espero que daqui a cinco anos não seja preciso defender essa pauta, que vejamos essa cultura transformada depois que ações eficazes foram implantadas. Mas até lá vamos ter que defender o óbvio e continuar torcendo para que o Governo e a sociedade em geral aprenda a ter respeito pelas nossas vidas.










































