O corpo de Luiz Ângelo da Silva, conhecido mundialmente como Ogan Bangbala, será sepultado na tarde desta terça-feira (17) no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense. Ele faleceu no domingo (15), aos 106 anos, devido a uma infecção renal.
Bangbala era considerado o ogan mais velho em atividade no país, função que exercia há mais de 80 anos. O religioso estava internado desde o fim de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio de Janeiro, onde recebia tratamento médico.
Natural de Salvador, o mestre mudou-se jovem para Belford Roxo, onde se tornou uma referência absoluta na preservação da cultura iorubá. Além de comandar os atabaques, ele foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro.
Sua trajetória foi marcada por prêmios e homenagens, incluindo a Ordem do Mérito Cultural concedida pela Presidência da República em 2014. Bangbala também gravou álbuns de cânticos tradicionais e foi tema de exposições e enredos de escolas de samba.
Lideranças religiosas definem o ogan como um “griot”, termo africano usado para designar os guardiões da memória e da história oral. Para a comunidade afro-brasileira, ele passa a ser um ancestral que simboliza a resistência e a identidade religiosa.
A viúva Maria Moreira comunicou a perda nas redes sociais, destacando Bangbala como o “mestre dos mestres”. O legado deixado pelo religioso permanece vivo nas casas de candomblé e nos blocos afros que ajudou a fortalecer ao longo de um século de vida.










































