O carnaval aumenta a vulnerabilidade de crianças e adolescentes e exige atenção redobrada das famílias, segundo alerta de especialista em direitos da infância. A principal recomendação é evitar a publicação de imagens de crianças nas redes sociais durante o período.
Maurício Cunha, presidente da organização internacional ChildFund no Brasil e pesquisador em políticas públicas para infância e adolescência, afirma que as violações crescem tanto no ambiente físico quanto no digital durante as festas.
Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mostram que mais de 26 mil denúncias de crimes contra crianças e adolescentes foram registradas durante o carnaval do ano passado. O número representou aumento de 38 por cento em relação ao período anterior.
Entre os principais riscos estão a erotização precoce, desaparecimentos em meio a grandes aglomerações, trabalho infantil e exploração sexual. No ambiente online, o problema é ampliado pela exposição de imagens e pela circulação de conteúdo em grupos fechados e fóruns ilegais.
Pesquisa do ChildFund com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos revelou que 54 por cento já sofreram algum tipo de violência sexual na internet. O levantamento também apontou que apenas cerca de 35 por cento dos adolescentes brasileiros têm algum tipo de supervisão parental no uso das redes.
Segundo o pesquisador, imagens aparentemente inocentes podem ser manipuladas e compartilhadas em redes criminosas. Por isso, ele orienta que pais desativem a localização dos aplicativos, evitem fotos, vídeos e transmissões ao vivo com crianças e utilizem ferramentas de controle parental.
O especialista destaca ainda que a maioria dos casos de violência sexual ocorre dentro do próprio ambiente familiar ou com pessoas de confiança. Estimativas indicam que mais de 85 por cento das violações são cometidas por alguém próximo à vítima.
Ele reforça que qualquer suspeita deve ser denunciada pelo Disque 100, que funciona gratuitamente 24 horas por dia. A denúncia pode ser feita mesmo sem provas, cabendo às autoridades apurar os fatos.
Para o pesquisador, a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e poder público, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente. Durante o carnaval, essa vigilância precisa ser ainda maior.







































